Dizem que é ruim ser o filho
do meio, imagine então ser a filha do meio entre dois irmãos.
As primeiras memórias que
tenho dos meus irmãos são: dos dois entrando no meu quarto para pregar alguma
peça em mim.
Faz lembrar os planos mirabolantes
de Cascão e Cebolinha contra a Mônica. No caso eu era a Mônica. Infelizmente
não tinha nenhuma irmã Magali a me defender ou ajudar. Além do mais, eu nunca
fui forte e brava como a personagem do Maurício de Sousa. Sou mais carente,
chorona, romântica, sentimental. Eu precisava de proteção, e meus pais sempre
trabalhando. Esse sempre foi meu jeito de ser, carinhosa. Acho que vem do meu
nome Karina, carinho.
Nunca me esquecerei das
proezas dos dois em invadir meu quarto e desarrumar minhas brincadeiras de
boneca. Tirava a roupa delas, arrancava as cabeças, bagunçava minhas gavetas.
Eu tinha ódio mortal. Minha mãe deixava-os de castigo, mas para dois irmãos
juntos era sempre divertido. Ainda mais
que o quarto tinha televisão em preto e branco, jogos, revistas em quadrinhos e
toca disco.
Cresci assim, no meio de
meninos. Afinal, eu só tinha primos homens para brincar lá em Itabira. Minhas
primas com idade aproximada moravam em Belo Horizonte e eu só as via nas
férias.
Ainda bem que não me faltaram
amigas pra dividir as confidências. Mas, verdadeiramente meu melhor amigo
sempre foi o lápis e o papel. Comecei a escrever meus pensamentos por não ter
ninguém por perto para brincar ou conversar. De todo mal, surge um bem. Basta
enxergar a oportunidade na sua frente.
Infelizmente perdi um valioso
caderno de redações. Era fantástico. Cada texto mais criativo do que o outro,
além de serem histórias com várias páginas de texto escrito à mão num caderno
brochura tamanho pequeno. Ai, que tristeza! Alguns trechos me fazem rir só de
lembrar. Não conseguirei transcrevê-los de novo. Ainda mais utilizando a
linguagem simples e infantil.
Enfim,
escrevo sobre um sentimento universal. Pesquisando na internet encontrei esse
ótimo texto:
Nascimento e personalidade – Na psicologia, há diversos estudos e
abordagens sobre como a ordem do nascimento influencia na personalidade das
pessoas. Linda Blair, psicóloga inglesa formada pela Universidade de Harvard
(Estados Unidos), é uma das pesquisadoras que se dedicam ao tema. Com o livro
Birth Order, a pesquisadora mostra como a posição na família, o espaço entre um
indivíduo e seus irmãos e a idade deles, impacta na infância, adolescência e
vida adulta, além de afetar os relacionamentos.
Segundo Linda, os filhos do meio tendem a ser mais diplomáticos
e maleáveis porque são sempre forçados a ceder, além de serem mais realistas
sobre suas habilidades e de serem afetados facilmente pela opinião alheia.
De acordo com o livro Born to Rebel, do pesquisador do Instituto
de Pesquisas Sociais e de Personalidade, ligado à Universidade da Califórnia,
Frank Sulloway, os filhos mais velhos tendem a ser mais conservadores e
obedientes, identificando-se com a autoridade dos pais e mantendo o status quo.
Já os caçulas e os do meio seriam propensos a levar a vida menos a sério, sendo
mais rebeldes.
E você? Concorda com isso?
Essa teoria se aplica à sua família e aos seus sentimentos?
Porque toda familia é sempre igual, desde que o mundo é mundo.

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