sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Filha do meio


Dizem que é ruim ser o filho do meio, imagine então ser a filha do meio entre dois irmãos.

As primeiras memórias que tenho dos meus irmãos são: dos dois entrando no meu quarto para pregar alguma peça em mim.
Faz lembrar os planos mirabolantes de Cascão e Cebolinha contra a Mônica. No caso eu era a Mônica. Infelizmente não tinha nenhuma irmã Magali a me defender ou ajudar. Além do mais, eu nunca fui forte e brava como a personagem do Maurício de Sousa. Sou mais carente, chorona, romântica, sentimental. Eu precisava de proteção, e meus pais sempre trabalhando. Esse sempre foi meu jeito de ser, carinhosa. Acho que vem do meu nome Karina, carinho.

Nunca me esquecerei das proezas dos dois em invadir meu quarto e desarrumar minhas brincadeiras de boneca. Tirava a roupa delas, arrancava as cabeças, bagunçava minhas gavetas. Eu tinha ódio mortal. Minha mãe deixava-os de castigo, mas para dois irmãos juntos era sempre divertido.  Ainda mais que o quarto tinha televisão em preto e branco, jogos, revistas em quadrinhos e toca disco.

Cresci assim, no meio de meninos. Afinal, eu só tinha primos homens para brincar lá em Itabira. Minhas primas com idade aproximada moravam em Belo Horizonte e eu só as via nas férias.
Ainda bem que não me faltaram amigas pra dividir as confidências. Mas, verdadeiramente meu melhor amigo sempre foi o lápis e o papel. Comecei a escrever meus pensamentos por não ter ninguém por perto para brincar ou conversar. De todo mal, surge um bem. Basta enxergar a oportunidade na sua frente.

Infelizmente perdi um valioso caderno de redações. Era fantástico. Cada texto mais criativo do que o outro, além de serem histórias com várias páginas de texto escrito à mão num caderno brochura tamanho pequeno. Ai, que tristeza! Alguns trechos me fazem rir só de lembrar. Não conseguirei transcrevê-los de novo. Ainda mais utilizando a linguagem simples e infantil. 

Enfim, escrevo sobre um sentimento universal. Pesquisando na internet encontrei esse ótimo texto:
Nascimento e personalidade – Na psicologia, há diversos estudos e abordagens sobre como a ordem do nascimento influencia na personalidade das pessoas. Linda Blair, psicóloga inglesa formada pela Universidade de Harvard (Estados Unidos), é uma das pesquisadoras que se dedicam ao tema. Com o livro Birth Order, a pesquisadora mostra como a posição na família, o espaço entre um indivíduo e seus irmãos e a idade deles, impacta na infância, adolescência e vida adulta, além de afetar os relacionamentos.
Segundo Linda, os filhos do meio tendem a ser mais diplomáticos e maleáveis porque são sempre forçados a ceder, além de serem mais realistas sobre suas habilidades e de serem afetados facilmente pela opinião alheia.
De acordo com o livro Born to Rebel, do pesquisador do Instituto de Pesquisas Sociais e de Personalidade, ligado à Universidade da Califórnia, Frank Sulloway, os filhos mais velhos tendem a ser mais conservadores e obedientes, identificando-se com a autoridade dos pais e mantendo o status quo. Já os caçulas e os do meio seriam propensos a levar a vida menos a sério, sendo mais rebeldes.
E você? Concorda com isso?
Essa teoria se aplica à sua família e aos seus sentimentos?
Porque toda familia é sempre igual, desde que o mundo é mundo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Sentimento Itabirano



Era uma vez uma cidade bem velhinha. Tinha 160 anos de idade e mais de 300 anos de história.
Nesta cidade, chamada Itabira, as ruas falam, as casas falam, as montanhas falam. Não são todas as pessoas que conseguem ver. Mas eu vejo a cada esquina um antepassado que nos observa e nos manda sinais.
São tantos os personagens que conhecemos através das histórias que nossos avós, pais, professores e poetas nos contam. Figuras ilustres da nossa terra que ficaram com suas almas encrustadas em nossas ruas, nossas casas, nossa cidade.
Num dia de pouco sol e muito frio um forasteiro invadiu a cidade exigindo que a modernidade nos traga melhorias. Esse forasteiro tinha boas intenções, mas não sabia escutar as casas, as ruas, os espíritos de nossos antepassados.
O jovem não conhece a nossa velha história, ele usa grandes botas de couro que passam por cima de tudo e de todos.
Ele não escuta a voz dos mais velhos, daqueles que representam a alma da cidade. Ele quer apenas trabalhar e mostrar serviço.
A cidade se modifica, o povo se cala. Eu vejo Brás Martins da Costa, Batistinha, Dr Rosa, Mestre Emílio, Alfredo Duval, Carlos Drummond de Andrade e tantos outros personagens consternados com a modificação do nosso cenário.”Tutu Caramujo cisma na derrota imcomparável”. Eles estão tristes, mas ao mesmo tempo zombam de nossa fraqueza, de nossa mudez. 
Sinto que nossos personagens estão nos deixando e junto deles nossas ruas, nossas casas, nossas montanhas. Tudo está se esvaindo, virando névoa, indo pro mundo dos espíritos. Minha esperança também está se acabando. Enquanto perdemos nossa força toda a cidade vai ficando invisível.
O povo fica entre o passado que fala e o presente que se cala.
As botas de couro do forasteiro passam por cima de tudo e de todos.
Ele não consegue enxergar que a cidade está ficando cada vez mais fraca. Falta sensibilidade para o forasteiro perceber que a nossa história é nosso amuleto da sorte. A modernidade que ele tanto quer implantar tem que respeitar os mais velhos.
Faltou educação, o caboclo não pediu licença e nem consentimento.
Eu vejo, eu sinto. Eu falo e não me calo.
Mesmo chorando ainda tenho forças pra tentar. Não quero que destruam meu passado, minha história, dos quais tanto me orgulho. Ou orgulhava? Caso contrário, até eu vou desaparecer. Ficar invisível.




domingo, 25 de janeiro de 2015

Mar não combina com celular




Foi assim: hora de mudar de hotel. Foi uma viagem meio louca pelo Rio de Janeiro, um pouco em Ipanema e um pouco na Barra. Foi bom pra descobrir que o Rio de Janeiro é maior do que eu pensava. Afinal, há tantos anos indo passear lá e nunca saí do trajeto Ipanema, Copacabana, Leblon e pontos turísticos. Arrumei as malas e fui embora. Depois descobri que havia largado o carregador do celular no hotel. O pior é que meu marido também esqueceu o dele, pregado na tomada, que ficava atrás da cama. Fomos pra Barra, parece outra cidade, o calçadão não é o mesmo e as praias são com ondas bem grandes que os surfistas costumam gostar. Tem uma praia muito boa, de surfista mesmo, com pedras muito loucas, “Prainha”. Essa parte foi boa, o mar estava quentinho, deu pra nadar bastante e pegar uns “jacarés”.
Viver sem internet é assim: acordar, banheiro, tomar café. Assistir ao noticiário ou ler um jornal, ou os dois. Sair pra malhar, depois tomar um banho e começar a trabalhar. Computador sem internet é trabalho sem distração. Muito mais produtivo!
Férias sem celular é bom pra relaxar.
Parar o olhar nas ondas do mar.
Ou senão, ler. Ou senão escrever.
Conversar. Olhar nos olhos.
Curtir sem postar e nem comentar.
Viver sem falar.
Ainda bem que esqueci o carregador pra trás. Pensei.
Em momentos de solidão eu procurei um carregador na recepção do hotel. Infelizmente, nenhum cabo era compatível.
Pois é, pensei. Esse é o problema. Não conseguimos mais viver sozinhos, com nossos próprios pensamentos. Precisamos ocupar nossa mente. O problema é com o que ocupamos nossa mente. E no “facebook” anda raro ver ou ler um pouco de conteúdo.  
Observando as pessoas à minha volta percebo que estão de frente para o mar e com a cara colada na tela luminosa do celular. A foto do mar é mais bonita que o próprio mar? O aparelho é levado para todos os lugares e os “selfies” são tirados até na mesa do restaurante, durante as refeições! Eu era assim, bem fissurada, mas, foi só parar um pouco e observar que fiquei pensando em como torturamos nossas crianças com tantas fotografias! Chega a ser engraçado.
Nada melhor que um pouco de paz e solidão nas minhas férias.
Nem estamos tantos anos conectados e vivendo nas redes sociais, mas, já acho necessário que cada um faça uma reflexão sobre tudo isso.
Férias de verdade com a família tem que ter interação entre a família. Não pelo “whatsApp”, mas uma conversa aberta, olhos nos olhos, falando sobre tudo, a vida, os acontecimentos, os sonhos a serem realizados.
E foi assim, sem internet, que curti e compartilhei com minha família dias maravilhosos. E foi assim também que escrevi essa crônica. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Histórias de uma menina do interior

Itabira, 1998

A poesia me chamou para dar uma volta nesse quintal.
Bem, aqui estou.
Meu Deus, há tanto tempo não venho apreciar esse pedacinho da minha infância! Essas jabuticabeiras me parecem tão sós. Será que não brincam mais? Há muito tempo elas costumavam ser alegres e exuberantes, tão viçosas que vinha gente da cidade inteira pedir prova de seus frutos.




- “Senhor Rosa, será que dá pra me arrumar um saquinho de jabuticaba? O Senhor sabe, não é? A gente ouve falar que são as melhores da cidade e que enchem tanto as galhas que toda a árvore chega a ficar preta.” Dizia o moço que tocou campainha.
- “Não só as galhas, meu amigo, todo o quintal fica preto como a noite.” Dizia meu avô todo orgulhoso com a popularidade das suas frutas.
Meu avô fazia questão de levar todas as visitas no jardim para mostrar-lhes as flores e a horta. Depois subia nos pés de jabuticaba com um saco e enchia com as jabuticabas mais suculentas. Todos saíam encantados com a colheita do meu avô que não media esforços para agradar a todos.
Eu e meus primos brincávamos por horas e horas até que o dia ia chegando ao fim. Impressionante como nunca tive medo da escuridão, pois, às vezes caía no sono deitada nas galhas e minha mãe só me encontrava quando as estrelas já tinham comandado o céu.
Eu morava no pé de jabuticaba que ficava ao lado do muro do vizinho e cada primo tinha sua respectiva moradia naquele quintal. Cada árvore era uma casa e não tinha nenhum sem árvore naquela família.
Quando a família cresceu e os pequenos começaram a querer subir nas árvores, tivemos que inovar nossas casas transformando-as em apartamentos.
Dezembro vinha chegando e era uma verdadeira festa ver as flores se transformando em frutos, para depois de verdes, amadurecer.
Nessa fase, eu e meus primos não tínhamos moradia e só vínhamos a subir nas árvores na hora da colheita.
A casca da jabuticaba tem que ficar “fininha” para que a fruta fique mais doce. Eu devorava todas sem preconceito, docinhas e azedinhas, pequenas e “bitelas”.
Era engraçado quando tinha mais gente no mesmo pé. O mais esperto subia mais alto e de lá jogava as cascas e sementes na cabeça do outro. Eu nunca perdia quando apostávamos quem subia mais alto e também ficar mais tempo lá no alto do pé. Mas, eu não apostava com meu irmão mais velho.
Aquele quintal era a maior festa que todas as crianças desejavam ter. Era o melhor conto de fadas.  Este quintal é um conto de fadas que ainda não foi escrito. Faz lembrar Walt Disney, Alice no país das Maravilhas, Chapeuzinho Vermelho e Bambi. Me faz ver o céu mais azul e sentir o dia maior. Queria que aquele fosse o lugar onde eu como, vivo e durmo. Uma casa na árvore resolveria esses problemas.
Cá estou de volta ao passado, pois a poesia me chamou para brindarmos a saudade. Eu vejo o tempo que passou, vejo cada ano pendurado nos galhos mais velhos e “cascorentos”.
-Olá, amiga árvore. Estou de volta!
Silêncio no ar, elas devem estar chateadas comigo. Passei tanto tempo sem vê-las. Estou sendo observada e elas olham espantadas para mim, suas galhas se agitam e as folhas balançam, caindo pelo meu cabelo. Elas já estão mais velhas, devem ter uns duzentos anos. Percebo que estão conversando entre elas. Primeiro uma fala e balança, depois a outra responde balançando seus galhos também.
-“Verdinha, essa é a Karina?” Uma sacode pra outra perguntando.
-“Ela mesma. Está mais velha, virou mulher.” Verdinha sacode respondendo.
-“Vocês lembram qual foi a última vez que ela brincou com a gente?” Pergunta a árvore mais frondosa do quintal.
“Há muitos anos atrás. Vocês se lembram da vó dela chorando baixinho escondida aqui no quintal? Ela chorava as saudades da neta mais velha e querida. As duas eram amigas e companheiras.” Responde a árvore que nasceu dividida entre dois muros.
Arvrinha é a mais esperta, escuta tudo porque fica mais perto da casa. Ela fala em tom solene para as outras dezesseis árvores ouvirem e participarem da conversa:
- “Matilde rezava para Deus iluminar e proteger a menina de todos os perigos da cidade grande.”
-“Será que já casou? Será que tem filhos? Os olhos dela não trazem felicidade. Ela veio se juntar a nós para esconder lágrimas.”.
-“A Karina voltou porque sentiu saudades, esta é a verdade.”
Nesta hora todas as folhas balançaram como se um vento forte as tivesse sacudido. Vários presentes foram caindo de seus galhos que ofertavam cascas antigas, frutos e gotas de orvalho.
A poesia e eu agora tomávamos a saudade em doses de amor e reflexão. As lágrimas apareceram sem serem convidadas e eu fechei os olhos para expulsá-las.




quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A inveja alheia





Desde que o mundo é mundo existe a inveja. O mal inveja o bem. O ódio tenta vencer o amor.
Desde que o mundo é mundo as guerras, a violência, as pestes, pragas e doenças assolam nosso paraíso.
O próprio homem constrói e destrói. Deus e o Diabo na terra do sol, já dizia Glauber Rocha.
Temos cada um de nós, Deus e o diabo no nosso coração.
As ferramentas modernas, como a internet e as redes sociais desenvolvem nosso lado mais invejoso.
Antes eram as janelas para nossa própria rua que nos contavam novidades. Depois, a televisão aumentou o nível de fofoca. As novelas nos mostram mulheres magras, maravilhosas e com roupas espetaculares. Morremos de inveja. Agora, com as redes sociais ficou muito mais difícil viver sem esse sentimento da inveja.
Impossível não invejar pratos deliciosos, cerveja com muitos amigos, paisagens espetaculares por todas as partes do mundo. Beijos de amor, declarações apaixonadas de maridos e namorados, filhos maravilhosos e inteligentes. Roupas da moda, carros novos, jantares especiais e sempre muitos amigos. Quanto mais alegre é a foto melhor.
Creio que as redes sociais são um banquete perfeito para os invejosos de plantão. Reparei que muitas pessoas são fantasmas na rede social. Estão lá apenas para bisbilhotar a vida alheia e não curtem e nem comentam. Existem frases que servem pra tudo:
“Tudo que é bom, dura pouco”, “Boca aberta entra mosquito”, “Quem abaixa demais lá aparece”, “Quem fala demais escuta o que não quer”.
Inveja do mal: as pessoas ironizam seus comentários, as pessoas são sarcásticas sem se deixar notar. Algumas são fantasmas, que bisbilhotam e não curtem e nem comentam. Outras pessoas comentam e curtem, mas por trás falam mal de você.
Tudo que uma bruxa do passado precisava era o facebook.
Saber onde seus inimigos estão, o que estão fazendo, os filhos que tiveram, quantos anos tem, o que estão fazendo de suas vidas e onde podem ser encontrados.
Antigamente poucos tinham esse poder, hoje quase todo mundo tem uma bola de cristal em casa. O negócio agora é arrumar seu “patuá” de proteção e andar agarrado nele.
Contra todos os males, vale reza brava, amuletos da sorte e muita proteção.
Porque infelizmente eu não consigo deixar a rede social por medo da inveja.
Existem também muitos benefícios dessa ferramenta moderna.
E eu, como fotógrafa, posso expor meu trabalho.
Também gosto de expor minha vida. It´s a problem, mas, quem não gosta???
Por isso, vale aquelas dicas de sempre para se proteger na internet:
-Não publicar fotos indecentes, para que isto depois não seja usado contra você (crianças peladinhas são fofas, mas os tarados estão à solta. Uma vez coloquei uma foto minha amamentando e colhi comentários eróticos, entende?).
-Não avisar pra todos que a casa está sozinha, pois todos saíram de viagem para a praia;
-Não ficar choramingando sobre seus problemas com marido, filhos e assuntos íntimos;
-Não ficar colocando fotos de gente morta ou doente (pelo amor de Deus);
-Não ficar tentando impor sua opinião (rede social serve para discutir vários assuntos, respeitando sempre a opinião alheia);
Eu uso a rede social para mensagens positivas. Antes todos fossem assim.
Gosto de imagens do bem. Pensamentos bacanas. Vídeo cassetadas. Placas com erros grotescos de português. Fotos de amores, alegrias, felicidades. Gosto de conhecer o mundo por fotos e saber de políticas diferentes de vários países. Gosto de ajudar, sem depositar dinheiro em contas misteriosas e nem vendo fotos de atrocidades. Gosto de compartilhar, de curtir e comentar. Gosto de me divertir, de escrever e saber a opinião de vocês em relação aos textos e fotos que publico aqui. Gosto de ler poesias e publicá-las também. Não gosto de correntes e de jogar no facebook. Não gosto que fiquem só falando mal do meu país. Mas, podemos fazer críticas construtivas. Deletei pessoas que exageram nestes quesitos. Pra bom entendedor, pingo é letra.
Ao longo de mais de 8 anos entre Orkut e facebook, já cometi muitos erros e não mais pretendo fazer. Já vi gente usando minhas palavras de desabafo contra mim, 4 anos depois. Como se o tempo não passasse, como se os problemas não mudassem. Tudo que é escrito, fica registrado para sempre. E até hoje eu não consegui deletar meu perfil do antigo Orkut. Ai, ai.
Vamos que vamos. Não vou deixar de ter face, mas é bom aprender a usar.
O mundo continua igual, mas eu estou ficando mais esperta.
Que bom!


O sistema é brutal!




O sistema atual da sociedade moderna em que vivemos é brutal porque está sempre tentando nos moldar. Hoje em dia, existe um paradigma de estilo de vida, de ascensão profissional, de consumismo, de corpo, rosto e cabelo.
Pra você entrar no sistema você tem que ser um modelo de propaganda de margarina, seu marido, seus filhos, sua casa e seus carros. Até na raça dos cachorros eles querem mandar. Temos que usar o que está na moda, temos que fazer regime e temos que malhar.
Algumas pessoas entram na academia para pegar pesado, no sistema da perfeição, malham todos os dias, suando a camisa e medindo os músculos.  Alguns consideram a beleza exterior mais importante que a beleza interior. São pessoas que acabam vivendo na academia.
A perfeição do corpo já era desejada desde a antiguidade, basta observar as esculturas gregas e romanas. O corpo atlético é invejado por muitos. A saúde é uma busca constante de todos.
O sistema social, que nos molda a cada dia, faz com que busquemos chegar à perfeição.
Qual é a perfeição?
Ser uma criança comportada na escola, não ser um problema para a professora, tirar “A” na prova do Enem, formar numa ótima universidade, ser um profissional especializado com MBA, casar, ter filhos e um carro de propaganda na garagem?
 Ter um corpo perfeito, sarado, barriga tanquinho e cintura fina.
Trabalhar fora, cuidar da família, do marido e estudar sempre?
Eu nunca consegui entrar nesse sistema. Faço esteira quando posso e também para me livrar de alguns “quilinhos” extras.
Não busco a perfeição, quero malhar porque é saudável.
Academia é como o sistema, quanto mais você malha, mais eles exigem de você.
Não adianta negar que a saúde é tudo na nossa vida.
Se estivermos muito gordos, isso faz mal pra saúde.
Mas, assim, como o sistema nada pode ser fanatismo.
Não tem coisa pior do que você ter que ser de um só jeito.
Essa sensação me deixa perplexa.
Nunca gostei de academias.
Hoje sei que isso faz bem ao meu corpo e à minha mente.
Mas, não quero ser fanática, não quero engolir tudo sem questionar, não quero me entregar ao sistema.
Sempre fui questionadora, mas, agora não tenho mais como lutar contra os exercícios. Tenho que me entregar a eles. Afinal, a idade vai chegando e eu quero estar com tudo “em cima”.
O duro é quando seu filho também tem que entrar no ritmo, dançar conforme a música. O sistema é brutal, pois enxergo perfeitamente quando tentam colocar meu filho numa caixa de sapatos. Era assim que me sentia. Ele tem que ser assim, assim e assado. Ele tem que se comportar como todos, ele tem que fazer inglês, tem que fazer futebol, natação e tirar notas boas.
O diferente não é valorizado.
Sempre gostei do diferente.
Pessoas diferentes são especiais.
Viva a diferença!
Sempre é bom questionar o sistema.
Sempre é bom olhar as revistas com olhar crítico sabendo que a ditadura da beleza é para os fracos e ignorantes.
Sempre fui gordinha e não é hoje que vou fazer uma plástica para entrar no sistema da barriga tanquinho.
Eu me amo, eu me adoro, eu não consigo viver sem mim.


#Fica a dica#

A pelanca fatal




Percebi que pra tudo tem um jeito: pintas crescidas, gorduras localizadas, menstruação, cólicas, “tpm”, cabelo ressecado, olheiras, manchas na pele, varizes, dente torto, nariz, boca, peito, bunda, cintura, etc. São tantas coisas que incomodam as mulheres!
Eu não sou tão exigente e nem neurótica. Nunca fiz plástica, só queria tirar umas pintas estranhas. Minha dermatologista me mandou para a um angiologista que me mandou para um cirurgião plástico. Imaginei que fosse ter que sair de ambulância do hospital, fiquei chocada quando o médico falou que poderia voltar dirigindo. Pois é, fui lá, em vinte minutos ele cortou, retirou o que me incomodava e costurou. Saí aliviada, parece que saiu um peso de 20 kilos da minha coxa. Por quê fiquei quase dez anos com receio e preguiça daquilo, não sei.
Viver com caroços, verrugas e pêlos encravados é para os fracos!
A vida não pode ser um pêlo encravado. Você pode até fingir que aquilo não te incomoda, mas mexe diariamente com você na frente do espelho. Se o fio crescer pra baixo, e inflamar sua pele, trate de retirar. Aquilo é um “alien” dentro do seu corpo, um caroço na perna também, uma verruga no nariz, então nem fale. Eu não quero virar uma bruxa.
Essas pragas que insistem em nos atacar devem ser retiradas de nós. Temos que cortar essa erva daninha, antes que matem nossa bela trepadeira.
Ao contrário do que você pensa, eu não tenho medo de envelhecer.
Como tirar tudo que incomoda? Isso realmente é impossível, um exemplo é a pelanca fatal do pescoço.
Na iminência de completar 40 anos eu já olho para minha epiderme com certa frequência. O quê está acontecendo? É como um deslocamento de placas tectônicas. A pele vai se movendo para outros lugares. É pura biologia, geografia e física. Antes a cútix tinha muitas células jovens e vivas e agora as que restaram começam a envelhecer. Antes a maça estava encima da árvore, agora caiu pela lei da gravidade e começa a apodrecer no chão. É assim que explico a existência da pelanca do meu pescoço. No braço, nas mãos, no colo do pescoço. É uma fina camada da pele que vai se enrugando. Microscopicamente parecem teias de aranha bem fininhas que vão aparecendo aos poucos. E quando a gente assusta se arrepende de tomar muito sol, não comer gelatina e maça todos os dias.
Portanto, eu me enganei quando disse que, me aproximando dos 40 anos quero arrancar de mim tudo que me incomoda.
Quero envelhecer, mas sem parecer uma bruxa.
Nem a Madonna é perfeita, mas mesmo hoje, na foto sem photoshop não perdeu seu charme e ousadia, que sempre achei ser sua melhor parte.

Estou buscando evoluir o lado espiritual, pedindo a Deus para que eu cumpra minha missão por aqui.
Não quero parecer fútil, comecei a falar de plástica e termino falando sobre aprender a envelhecer. A verdadeira beleza está dentro de nós. Portanto a minha busca agora é para que minha beleza interior aumente cada dia mais. Posso garantir que o investimento financeiro é bem menor e você ficará mais realizada, mais feliz.


Não precisamos temer a pelanca exterior, precisamos temer a pelanca que cresce dentro de nós.