domingo, 25 de janeiro de 2015

Mar não combina com celular




Foi assim: hora de mudar de hotel. Foi uma viagem meio louca pelo Rio de Janeiro, um pouco em Ipanema e um pouco na Barra. Foi bom pra descobrir que o Rio de Janeiro é maior do que eu pensava. Afinal, há tantos anos indo passear lá e nunca saí do trajeto Ipanema, Copacabana, Leblon e pontos turísticos. Arrumei as malas e fui embora. Depois descobri que havia largado o carregador do celular no hotel. O pior é que meu marido também esqueceu o dele, pregado na tomada, que ficava atrás da cama. Fomos pra Barra, parece outra cidade, o calçadão não é o mesmo e as praias são com ondas bem grandes que os surfistas costumam gostar. Tem uma praia muito boa, de surfista mesmo, com pedras muito loucas, “Prainha”. Essa parte foi boa, o mar estava quentinho, deu pra nadar bastante e pegar uns “jacarés”.
Viver sem internet é assim: acordar, banheiro, tomar café. Assistir ao noticiário ou ler um jornal, ou os dois. Sair pra malhar, depois tomar um banho e começar a trabalhar. Computador sem internet é trabalho sem distração. Muito mais produtivo!
Férias sem celular é bom pra relaxar.
Parar o olhar nas ondas do mar.
Ou senão, ler. Ou senão escrever.
Conversar. Olhar nos olhos.
Curtir sem postar e nem comentar.
Viver sem falar.
Ainda bem que esqueci o carregador pra trás. Pensei.
Em momentos de solidão eu procurei um carregador na recepção do hotel. Infelizmente, nenhum cabo era compatível.
Pois é, pensei. Esse é o problema. Não conseguimos mais viver sozinhos, com nossos próprios pensamentos. Precisamos ocupar nossa mente. O problema é com o que ocupamos nossa mente. E no “facebook” anda raro ver ou ler um pouco de conteúdo.  
Observando as pessoas à minha volta percebo que estão de frente para o mar e com a cara colada na tela luminosa do celular. A foto do mar é mais bonita que o próprio mar? O aparelho é levado para todos os lugares e os “selfies” são tirados até na mesa do restaurante, durante as refeições! Eu era assim, bem fissurada, mas, foi só parar um pouco e observar que fiquei pensando em como torturamos nossas crianças com tantas fotografias! Chega a ser engraçado.
Nada melhor que um pouco de paz e solidão nas minhas férias.
Nem estamos tantos anos conectados e vivendo nas redes sociais, mas, já acho necessário que cada um faça uma reflexão sobre tudo isso.
Férias de verdade com a família tem que ter interação entre a família. Não pelo “whatsApp”, mas uma conversa aberta, olhos nos olhos, falando sobre tudo, a vida, os acontecimentos, os sonhos a serem realizados.
E foi assim, sem internet, que curti e compartilhei com minha família dias maravilhosos. E foi assim também que escrevi essa crônica. 

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