Foi assim: hora
de mudar de hotel. Foi uma viagem meio louca pelo Rio de Janeiro, um pouco em
Ipanema e um pouco na Barra. Foi bom pra descobrir que o Rio de Janeiro é maior
do que eu pensava. Afinal, há tantos anos indo passear lá e nunca saí do trajeto
Ipanema, Copacabana, Leblon e pontos turísticos. Arrumei as malas e fui embora.
Depois descobri que havia largado o carregador do celular no hotel. O pior é
que meu marido também esqueceu o dele, pregado na tomada, que ficava atrás da
cama. Fomos pra Barra, parece outra cidade, o calçadão não é o mesmo e as
praias são com ondas bem grandes que os surfistas costumam gostar. Tem uma
praia muito boa, de surfista mesmo, com pedras muito loucas, “Prainha”. Essa
parte foi boa, o mar estava quentinho, deu pra nadar bastante e pegar uns “jacarés”.
Viver sem
internet é assim: acordar, banheiro, tomar café. Assistir ao noticiário ou ler
um jornal, ou os dois. Sair pra malhar, depois tomar um banho e começar a
trabalhar. Computador sem internet é trabalho sem distração. Muito mais
produtivo!
Férias sem
celular é bom pra relaxar.
Parar o
olhar nas ondas do mar.
Ou senão,
ler. Ou senão escrever.
Conversar. Olhar
nos olhos.
Curtir sem
postar e nem comentar.
Viver sem
falar.
Ainda bem
que esqueci o carregador pra trás. Pensei.
Em momentos
de solidão eu procurei um carregador na recepção do hotel. Infelizmente, nenhum
cabo era compatível.
Pois é,
pensei. Esse é o problema. Não conseguimos mais viver sozinhos, com nossos
próprios pensamentos. Precisamos ocupar nossa mente. O problema é com o que
ocupamos nossa mente. E no “facebook” anda raro ver ou ler um pouco de
conteúdo.
Observando
as pessoas à minha volta percebo que estão de frente para o mar e com a cara
colada na tela luminosa do celular. A foto do mar é mais bonita que o próprio
mar? O aparelho é levado para todos os lugares e os “selfies” são tirados até
na mesa do restaurante, durante as refeições! Eu era assim, bem fissurada, mas,
foi só parar um pouco e observar que fiquei pensando em como torturamos nossas
crianças com tantas fotografias! Chega a ser engraçado.
Nada melhor
que um pouco de paz e solidão nas minhas férias.
Nem estamos
tantos anos conectados e vivendo nas redes sociais, mas, já acho necessário que
cada um faça uma reflexão sobre tudo isso.
Férias de
verdade com a família tem que ter interação entre a família. Não pelo “whatsApp”,
mas uma conversa aberta, olhos nos olhos, falando sobre tudo, a vida, os
acontecimentos, os sonhos a serem realizados.
E foi assim,
sem internet, que curti e compartilhei com minha família dias maravilhosos. E
foi assim também que escrevi essa crônica.

Nenhum comentário:
Postar um comentário