quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Avós centenários


Nesse último dia 24 de setembro comemoramos o centenário de Vô Rosa.
Por isso, refleti sobre algumas coisas sobre centenário:
Costumamos celebrar centenários de pessoas e datas importantes.
Durante as comemorações de centenários eventos e homenagens costumam acontecer.
O último desejo de vô Rosa era fazer uma festa de 100 anos!
Mas, seu corpo não aguentou a dor da velhice com seus 98 anos e 7 meses. Se para muitos está difícil viver bem após certa idade, imagine para quem vive quase cem anos! Morreu dia 15 de abril de 2015, quase chegou lá, bateu na trave.
Já li em livros espíritas que quando sua missão está cumprida você pode partir para a casa do Pai Eterno, pois então vamos nos conformar com isso. Cada um tem seu tempo aqui na Terra, onde somos como turistas.
Seguindo o último desejo de vô Rosa, fizemos no dia 24 de setembro, uma festa que ele iria gostar. Família reunida, cerveja, churrasco, tudo com fartura.
Esperei escurecer para projetar o filme. Todos reunidos no quintal, já envolvidos pelo ambiente, pelos amigos, pela cerveja e pela energia. Quando a imagem de um menino antigo aparece no telão começa a vida dele em 100 anos. Reuni as fotos mais relevantes ao longo de sua vida, escrevi um texto e escolhi a trilha sonora. A música de Marcus Viana, A Miragem, foi uma bela escolha, e o texto era simples. Tudo se encaixou perfeitamente.
Neste momento uma chuva fina começou a cair. Todos sabem que chuva é benção, mas só a família sabe o quanto ele gostava de água. Como se ele quisesse se manifestar através da natureza, descer do céu, cair sobre nós. Ele estava ali conosco e através da água nos abençoou. Água que molha o solo, enche fontes, sacia sede e lava a alma.
Meu avô materno, Arthur Penido nasceu no dia 14 de novembro de 1917, portanto seu centenário será comemorado pela família ano que vem. Estamos preparando uma revista com depoimentos dos filhos e netos, fotografias e outras surpresas. Ele morreu dia 19 de dezembro de 1996, mas até hoje guardamos boas lembranças dele.
Centenário é uma oportunidade de relembrarmos pessoas que foram importantes pra nós. Um momento de reunir a família, contar histórias, homenagear quem nos gerou, quem nos amou. Para os jovens de hoje, conhecer a história de um antepassado que nos garantiu hoje vivermos, valorizar cada ação que nos garantiu ter uma boa vida e educação. Enfim, sermos eternamente gratos.
Cada vez mais vislumbramos a possibilidade de comemorarmos um centenário de uma pessoa em vida por causa da medicina atual.
Desejo profundamente que minha avó Celme tenha essa longevidade! Rezo para que ela tenha saúde e vitalidade. Quem sabe até o supercentenário, nome dado àqueles que comemoram 110 anos de vida!




sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Candidato (a) invisível



Eu votaria em você, caro candidato (a), se aparecesse de vez em quando no Parque Aggêo Pio Sobrinho fazendo caminhada comigo, ou participando dos inúmeros eventos que tem por lá. Poderíamos também encontrar no supermercado e trocar um “bom dia”. Queria conversar com você sobre os problemas do bairro e da cidade como faço com a dona da banca de revistas e com os caixas do sacolão. Já tem 14 anos que moro no bairro Buritis, os mais antigos comerciantes são meus amigos. Vejo-os quase todos os dias, conheço-os pelo nome. Você, caro candidato(a), eu nunca vi por aqui.
Eu votaria em você se visse a empolgação de agora no dia-a-dia de Belo Horizonte ou de qualquer outra cidade. Se você ajudasse a inibir a panfletagem nos sinais de trânsito. Se cuidasse melhor de nossos espaços de lazer comum. Se organizasse o caos que a GASMIG fez por aqui desde o ano passado, furando nossas ruas. Depois remendando com um asfalto de péssima qualidade, que não dura nem seis meses.
Eu votaria em você se tivesse empenho em melhorar o trânsito do nosso bairro, que está um caos. Todo mundo fica parado no trânsito, inclusive, você, caro político. Então porque não fazem nada?
Tem candidatos de tudo quanto é jeito, só sei que eu nunca os vi na peleja do cotidiano.
Eu votaria em você se ao longo de todos esses 14 anos que moro aqui você já tivesse me dado motivo para tal coisa.
Pena que as boas intenções só aparecem agora. Pipocam ideias geniais, propostas utópicas, coisas muito óbvias para fazer o mundo melhor.
Pena que o óbvio ululante não é real. Pena que o óbvio é uma utopia. Pena que meu candidato não existe, porque é um sonho que acalento há anos.
Aquele candidato que existe no mundo real, que irei esbarrar uma hora ou outra pelo meu bairro ou cidade.
Por que o Buritis era um bairro bom de morar a 14 anos atrás e agora é um caos de tantos carros e gente? Porque não existe ninguém realmente a fim de encarar a vida real.

Eu votaria em você, caro candidato (a) se você existisse!