segunda-feira, 30 de novembro de 2015

2015 foi um terror!




No Natal do ano passado estávamos todos juntos, como de costume. Vó Tide, Vô Rosa, os filhos, netos e bisnetos no Casarão Rosa. A vida é bela!
Eles estavam com os cabelos branquinhos, cansados, dormiam muito, comiam pouco. Reclamavam de tudo, implicavam com todos e entre eles. Já davam sinais que estava chegando o final da caminhada.
Durante a noite de Natal estávamos na sala de fora onde sempre foi montada a árvore e o presépio. Meu avô ficava entretido nessa arrumação, inclusive das luzes que colocava na sacada. Durante vários dias, ele testava os fios, fazia suas gambiarras, fita isolante, pregos, martelo, barbante e por aí vai. Mas, no ano passado ele não fez nada disso.
Meus avós tinham adoração com o presépio. Os bisnetos pequenos chegando correndo pela sala e vó Tide pedindo para tomar cuidado com as imagens antigas, principalmente do Menino Jesus.
Em todos os anos foi assim: levavam o menino Jesus, de mãos dadas, para nascer na manjedoura, no dia 24 de dezembro. Nem todos participavam juntos, alguns preferiam ficar lá no quintal, bebendo sua cerveja. Mas, no ano passado, foi diferente. Algo sobrenatural aconteceu. Fizemos uma encenação da noite de Natal, sem ensaio, espontânea, tocante. Os dois lá, assistindo a tudo. Adultos e crianças se envolveram nas tarefas de assumir seus papéis e fazer tudo com envolvimento. Foi um espetáculo! Depois um círculo foi formado e demos as mãos. O Menino Jesus circulou de mão em mão, recebendo beijos de todos nós, agradecimentos e pedidos. Claro, que pedimos apenas coisas boas.


Porque não passa pela cabeça do ser humano que o pior pode acontecer? Ou se passa, preferimos ficar com o pensamento positivo e evitar enfrentamentos.
Ninguém poderia prever que os dois iriam falecer, meu avô em março e em seguida, abril, minha avó.
Alguém poderia prever a tragédia da Samarco Mineração e impedir as mortes e a destruição da vila de Bento Rodrigues?
Alguém poderia prever a morte do Rio Doce. E se previram, fizeram alguma coisa? Nada foi feito, nada foi dito. A vida seguiu.
E o destino aparece de repente em forma da Dona morte, amiga, acolhedora. Vários sinais foram revelados para quem tem olhos ver, quem tem ouvidos escutar, quem tem alma sentir.
Assim aconteceu com outras grandes tragédias de 2015. Os sinais foram manifestados. 
O pássaro Fênix, da mitologia grega, entra em combustão antes de morrer para depois renascer. Se das cinzas a Fênix ressurge, podemos levar esse ensinamento para nossa realidade. Que por trás da crise econômica brasileira surja uma nova frente de pessoas honestas que queiram mudar esse país. Que por trás de tantos atentados terroristas surja a união entre os países do mundo, a solidariedade e a paz. E desse mar de lama que matou o nosso Rio Doce, surja uma nova oportunidade para a natureza. Maior consciência ecológica por parte da sociedade e dos empresários.
Se esse ano foi ruim, o outro deve ser melhor. Por que a vida é feita de ciclos, ou melhor, é como uma montanha russa, logo depois de uma descida tem a subida.
É difícil mudar, sair de uma situação confortável e assumir riscos. É como colocar os pezinhos na rua num dia de chuva e correr sem sombrinha por aí. No início a gente acha ruim, mas depois acostuma com a chuva e começa a dar risada, pular nas poças e se divertir. O jeito é mesmo dançar na chuva, porque em 2015 choveu canivetes no meu quintal. Acho que está assim pra todo mundo. “Não tá fácil pra ninguém.”.
Que por trás de tanta lama figurada e literal, ressurja a esperança. Mitologicamente essa possibilidade sempre existiu. Do caos sempre deve surgir ordem, das trevas a luz, da morte a vida.
Essa crise é um momento de nos retrairmos assim: olhamos pela janela, e a chuva forte cai lá fora, como não conseguimos enxergar o que tem na frente, paramos e pensamos: pra quê me arriscar? Mas, tem um ditado que diz: quem não arrisca, não petisca.
Por isso, “corra, Lola, corra” de bota sete léguas e não leve guarda chuva. Quem está na vida é para se molhar!
Esse Natal vai ser bom pra mim e pra minha família. Apesar de ser totalmente diferente. Seguiremos o exemplo dos meus avós, de colocar o Menino Jesus na manjedoura com todo carinho. Nele carregamos nossa esperança de que um novo ano comece, com novas forças, novas esperanças. Nosso maior símbolo de ressureição e vitória.


domingo, 22 de novembro de 2015

Vida após a morte. Zazá querida!


Queria me transportar para o céu. 
Vô tinha xodó pela pequena e aparentemente frágil, Zazá. No final da vida, cismou que era pai dela, queria cuidar e proteger. Não é caduquice, é o amor fraternal.
Zazá sorria o tempo todo e era o carinho em pessoa.
A festa no céu deve ser do “balacobaco”. Ah, como queria estar lá só pra dar uma espiada e voltar!
Mas, posso imaginar a cena: Vô Rosa e vó Tide de mãos dadas, Heber Nunes a tocar uma boa música de fundo. Sentadas a tricotar estão Stela e Rosita Rosa. Zé Rosa está lá na porta da loja. Antônio de Margarida a contar seus maravilhosos causos para Sérgio Rosa, que também adora uma crônica. 
Zazá desfila pelo salão, recém chegada é abraçada por todos. Encantada, com aquele sorriso no rosto, ela caminha a passos largos, não mais está pequena, ela cresce, ergue a cabeça e se impõe. Quer ver o que tem mais a frente, uma luz forte vem surgindo e ela se aproxima sem medo. Lady, seu marido, surge por trás da luz, estende-lhe a mão para uma dança. Seus olhos se encontram e eles se apaixonam de novo. Suas almas se juntas no mesmo tempo, espaço, trocando energias, como se nada tivesse acontecido. Girando e dançando ao redor do salão, lépidos e faceiros. Ao girar mais e mais, ela vê seus filhos Geraldo Eugênio e Agostinho. Ela se enternece com aquele amor de mãe, busca seus filhos pelos braços e coloca suas cabeças próximas ao seu coração. O amor nunca morre, não importa o tempo na Terra, no céu não existem ponteiros. É chegada a hora do encontro e não há espera.

Na minha imaginação, depois que morremos passamos por esse túnel de emoções e "flash backs". Lady a retoma para a dança e a gira em vários rodopios. E, a cada rodopio Zazá rejuvenesce, toma feições de mulher mais nova, cheia de filhos ao seu redor. Meninos correndo, ela cuidando e amando. Mais um rodopio e ela vê seu pai, Doutor Rosa e sua mãe Zulmira. Ela quer parar aquela dança, quer se aninhar no colo da mãe, adormecer. E assim acontece, quando acorda, se vê menina, de vestido rodado e laço de fita no cabelo. Ela corre na rua de pedra da Guarda Mór Custódio, brinca com seus irmãos. São tantos: Ruy, Antônio Augusto, Maria Augusta, João Pinheiro, Francisco Nunes, Joaquim Augusto, Maria do Rosário, Maria Júlia e Margarida.
Zazá vai regredindo ao seu passado, experimentando todas as boas sensações. Zazá está no paraíso!
As sensações da vida se misturam, as imagens se manisfestam e se apagam. Uma sensação única é chegada, uma sensação de paz, de pura energia positiva. Não existem imagens para descrever essa sensação. De branco intenso, luz vibrante. Ela agora está no ventre de novo. Cegou ao cerne de tudo. Talvez essa seja minha imagem de Deus.
Neste lugar, sua mãe não é mais a Dona Zuzú, e seu pai, não é mais o Doutor Rosa. Ela está no colo de Deus Pai Todo Poderoso e no ventre de sua mãe a Virgem Maria.
Ela é um bebê, que desaprendeu a andar, falar. Esqueceu tudo que viveu, de tudo que foi armazenado na sua memória terrestre. Agora ela virou luz.

Esse ano de 2015, aqui na Terra foi difícil, pra família Rosa perder tantas figuras ilustres que amamos tanto. Mas, saudade é saudável!
Viver o luto significar viver dias de muita luta que travamos com nossa condição de míseros viventes e sobreviventes. Como viver aqui sem eles? Muitas mudanças nos aguardam por aí. Mas, as lições que ficam pra mim é que temos que aprender a perder. Não somos carne, somos luz e energia. Não podemos nos apegar tantos às coisas materiais.
Sigamos em frente! Eles estão bem melhores que nós. Eles já fizeram a viagem, estavam cansados e era hora do merecido descanso. Cumpriram sua missão e estão livres!
Hora de brilhar! Quando quisermos olhar nossos entes queridos, sugiro que procuremos as estrelas no céu.

Aqui na Terra eles brilharam em nossas vidas, foram luzes a nos guiar pelos caminhos de Deus! Vamos continuar nessa trilha!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Mulheres sedutoras

22/10/2015



Cheguei à minha sessão de terapia “coaching carreira” feliz a cantar. Pensei que me conhecesse, por me analisar o tempo inteiro através de meus textos. Isso facilita bem, principalmente o raciocínio de iniciar, desenvolver e concluir uma situação. O que eu quero é desenvolver minhas habilidades, meus talentos naturais com apoio profissional. Duas cabeças pensam melhor que uma. Não é Marta?
Como uma mulher sedutora, ela me convidou para a palestra que iria dar logo em seguida à nossa conversa. Eu, como uma mulher sedutora, aceitei, me adaptando à nova situação. Como mulheres sedutoras, a equipe do Espaço Dornelas aceitou o desafio e se entregou de corpo e alma. Como mulheres sedutoras, aprendemos novos conhecimentos para compartilhar com nossas amigas, mas principalmente para ficar cada dia melhor com nossos próprios ideais. Como mulheres sedutoras queremos mesmo é nos divertir nessa vida e tirar o maior prazer que pudermos dela.
Então, pra mim, ficou a seguinte mensagem: uma mulher sedutora é uma mulher que tem coragem, tem sede de conhecimento, faz muitas coisas bem ao mesmo tempo, encanta a todos à sua volta.
Essa aí sou eu, satisfeita e mais feliz que nunca aos 40 anos. Estou plenamente feliz. Fiz umas fotos na minha festa de aniversário que ficaram bem naturais. Temos que saber que o padrão de beleza é uma ditadura imposta pela mídia. Imagino como todos que trabalham num salão de beleza sofrem com os pedidos das mulheres que querem ficar iguais às artistas da revista. Esse padrão inatingível é ao mesmo tempo massacrante. Pois, a informação é importante porque tem muitas que não tem conhecimento do quanto àquelas imagens são manipuladas pelo computador. Mesmo que uma determinada atriz não queira, (como a Kate Wislet) ela é cortada, alinhada, sugada pelo “photoshop” até que se torne um manequim do padrão de beleza que a mídia impõe. Gostei demais da frase da Cindy Crawford: “Eu queria ser bonita como a Cindy Crawford.” A top das top não se reconhecia estampada nas propagandas de tão manipulada pelo computador.
Uma mulher sedutora tem ferramentas para saber escolher o que quer, pra ela ser feliz do jeito que ela é.

Obrigada, Marta, pela sua generosidade em me convidar. 

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Ai de mim, que sou romântica!



 Quando tinha doze anos assisti ao filme “Um Encontro com o Passado”. Aquele filme me encantou por vários motivos: a trilha sonora belíssima me emocionou, o ator Christopher Reeve (que era famoso por fazer o Super Man) e o enredo. Um homem vai para um antigo hotel e se apaixona pela moça da foto. Descobre que a moça era uma antiga atriz de teatro que se apresentava ali. Ele estuda as possibilidades de encontrar aquela mulher, para isso ele tem que voltar ao passado. Depois que consegue, os dois se apaixonam loucamente e vivem uma linda história de amor. Mas, ao ter contato com uma moeda do tempo em que ele saiu, ele volta para o presente. Ele fica desesperado, entra numa depressão e acaba morrendo de amor. Na última cena, envolto às nuvens eles se encontram no céu. Porque amores eternos são assim. Nunca morrem.
Minha mãe comprou o vinil e eu colocava o tempo todo na vitrola aquela música maravilhosa, dos anjos. Sempre muito sensível, eu ficava imaginando quem era meu amor eterno e se nessa vida iríamos nos encontrar.
Sempre chorei e continuo chorando ao escutar essa trilha sonora e outras como: Once Upon a Time, Cine Paradiso, O Carteiro e o Poeta. Meu músico predileto para trilhas sonoras de filme é Ennio Marricone. Mas, o que me seduz mesmo são histórias de amor eterno.
Se você não sabia, Drácula é uma história de amor eterno, por isso, sempre fui apaixonada pelo filme. O melhor é o de Bram Stocker, retirei sua sinopse da internet: “O filme conta a história do líder romeno Vlad Tepes (Drácula), que, ao defender a igreja cristã na Romênia contra o ataque dos turcos, tem sua noiva Elisabetha enganada: esta crê que seu amado morreu e então atira-se no rio chamado "Princesa". Vlad, ao retornar da guerra e constatar a morte de sua amada, e condenada ao inferno (pois se matara), renuncia e renega a Deus, à igreja e, jurando só beber sangue a partir daquele momento, sendo assim condenado à sede eterna, ou seja, ao vampirismo.
Quatro séculos se passam, e ele redescobre a reencarnação de Elizabetha, em Londres, agora conhecida como Wilhelmina Murray (Mina). Jonathan Harker, noivo de Mina, parte a trabalho para a mansão do Conde Drácula, onde irá vender dez terrenos na área de Londres para este estranho Conde.
Lá é feito prisioneiro, enquanto o conde se encaminha à Inglaterra para reencontrar sua amada.
O resto do filme consiste em uma busca desesperada e sofrida do amante para reconquistar sua amada.”.
A última cena é maravilhosa, quase Romeo e Julieta, ela corta a cabeça dele para libertar sua alma e depois se mata. Os dois morrem juntos, para ficarem juntos pela eternidade. Eu choro, choro, choro, até hoje. Filme maravilhoso, merece ser revisto mil vezes. E a trilha sonora também é de primeira linha. Quem assistiu Drácula de Bram Stocker nunca vai gostar da série Crepúsculo.
Para minha surpresa, ontem na Rede Globo, estava assistindo à novela Além do Tempo, com enredo desses que gosto, de amores que ultrapassam uma encarnação, um tempo.  Maravilhosa a transição de ontem, saindo do século dezenove e passando para os tempos atuais. Os amantes, que morreram juntos afogados num rio, se encontram no metrô de São Paulo. Nem se compara às produções que citei, mas valeu perder meu tempo na frente da TV.
Sempre sonhei em achar um amor poderoso assim, e aos vinte e um anos pude sentir as dores infernais de uma paixão avassaladora. Porque amar é sofrer! E como! Por isso, amigos, tem tanta gente acomodada aí planejando vidas e matrimônios sem dor, sem coragem e sem enfrentamento. Encontrar a alma gêmea é sentir dentro do coração que mesmo tendo que enfrentar o mundo inteiro, você não consegue viver sem aquela pessoa ao seu lado.
Se você encontrar sua alma gêmea sentirá o coração pular pela boca. Terá que ter coragem, pular de abismos, cortar cabeças, entrar em estado de hipnose e voltar ao passado, matar ou morrer. Para ficar com seu amor verdadeiro vale tudo. Ir contra a família, mudar de país, de sexo, de vida, de religião...
Não sei por que penso assim, sou uma mistura de filmes que vi, livros que li, novelas que assisti e músicas que ouvi.
Como diria Rita Lee:
-“Ai de mim, que sou romântica!”.




quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Festa no céu - Vó Tide, amada!




27/04/2015
Morte de vó Tide

Se o céu está em festa
A Terra está chorando.
Queria ser aquele sapo atrevido
Que entra no violão para participar da festa.
Mas, não tenho asas para voar.
E depois, tem que ter convite para entrar.
O céu está em festa e a Terra a chorar.
Deus resolveu colher “Rosas” para a festa decorar!
Nós aqui, sapos ainda temos muito que enfrentar.
Aprender a andar é fácil, quero ver aprender a voar!

A família perdeu uma fonte que jorrava forte e nos dava de beber: Fonte de amor, carinho, mimo, cafuné, apoio incondicional. Nem sabemos mais como agir. Ainda continuaremos aqui aprendendo que a vida não é fácil. Seguindo os caminhos para um dia sermos convidados para essa grande festa.
Vó Tide não quis esperar mais. Após doze dias que seu marido faleceu, ela já estava pronta a esperar. Beijava sua fotografia no "santinho" e dizia baixinho: "Vem me buscar, meu amor."

“Eu não sabia que minha história era mais bonita que a de Robison Crusoé.” Já dizia Carlos Drummond de Andrade, no poema “Infância”.

Essa história de um amor eterno que nem a morte pode separar é digna de cinema. Juntos eles nos ensinaram o significado real das palavras FAMÍLIA, COMPANHEIRISMO, CUMPLICIDADE, UNIÃO, CARINHO E AMOR.

Despedimos de um casal apaixonado que fica na lembrança do povo de Itabira nas caminhadas de mãos dadas pelas ruas. Despedimos de uma casa mágica que ficou escura sem a presença dos dois.  Sentiremos eternas saudades daquele “tchau” na sacada.
Fiquem certos que a dor vai passar, pois a beleza dessa história irá nos consolar. 

Vai, vó, passear de Elba com seu eterno namorado. Lá tem vestido de oncinha, brinquinho de pérola, chá, bananinha prata, maça, gelatina e baralho pra jogar. E o que é melhor: tem vô pra namorar!

Um dia não quero ser mais sapo pra poder voar livremente a te procurar.


sábado, 17 de outubro de 2015

Energias telúricas na praia


Vô apareceu de sunga nos meus sonhos! Porque eu estava na praia, e lá no hotel, dormindo, ele me visitou. Foi lá pra me dizer que também estava presente. Ele e vó. Só que vó estava escondida debaixo do guarda sol. Eu deveria saber. Ela e sua pele branca de boneca porcelana, descendente de avô que veio de Portugal aos 13 anos para trabalhar e mandar dinheiro para a família pobre.
-Ina, você vai querer milho? Ou picolé? Toma aí.
Era assim mesmo, toda hora ele oferecia e tirava dinheiro de dentro da sunga. Meu avô Rosa gostava de clube, mas na praia ele ficava igual pinto no lixo. Se você ainda não ouviu esse ditado pode parecer um pouco estranho. Fiquei sabendo que pinto fica feliz no lixo porque tem onde ciscar. Pois é, agora que você já sabe vai passar a usar mais esse dito popular. Enfim, voltando ao meu avô na praia. Ele ficava preto pretinho e não passava filtro solar. Lembrando que ele nasceu em 1916 e não existia filtro, mas depois ele me dizia que sua pele estava curtida e que ele era preto mesmo. Com 98 anos sua pele estava repleta de pintas gigantes, mas, nenhuma deu trabalho, nem doença para ele ao longo desses anos todos. Realmente o sol era muito amigo de vô.
Pensar em praia é pensar em vô Rosa. Meus pais já os convidaram para viajar juntos e a viagem ficava mais divertida. Vó gostava de escrever nos guardanapos que encontrava pelos restaurantes. Naquela época eles eram grafados e ela coloca a data e o nome das pessoas que estavam no restaurante. Vô gostava de peixe frito, cerveja e uma cachacinha da mineira.
Minha mãe se lembrou de um caso ótimo e escreveu no livro das Bodas de Vinho. Vou transcrever aqui:
Meu sogro tem o apelido de “Rosinha” desde seu nascimento, porque seu pai era o “Doutor Rosa”, médico muito conceituado nesta cidade de Itabira.

Este apelido trouxe muito embaraço para ele, por diversas vezes. Chamado ao telefone da loja Rosa e Felipe, o freguês queria falar com “dona Rosinha” e nada fazia aceitar que “Rosinha” era um homem, casado com a “Tide” de Nova Era.
Algumas pessoas passaram a chamá-lo de “Seu Rosa” à medida que foi envelhecendo e tomando um ar mais sério.
Algumas vezes um amigo passava por perto e exclamava: “olá, Rosinha, e quem passava ao lado olhava com interrogação, que nome para se colocar num senhor???

Mudando para outro fato interessante, num período de férias  que fomos em Guarapari ES/eu, Mauricio, Matilde, nossos três filhos,Henrique, Karina e Alexandre com 2 anos, hospedamos no condomínio Caparaó  onde alugam os apartamentos de quarto e sala, muito simples mas de frente da praia das Castanheiras, no centro da cidade.
Ao lado do prédio havia uma enorme castanheira onde se escondiam na sombra, os jogadores de “bicho”, jogo proibido pelo governo, mas lá era liberado.
Rosinha sempre foi jogador assíduo e todos os dias, ao se levantar,corria para debaixo da árvore para fazer seu joguinho antes de sair para a caminhada na praia.Certo dia eu lhe disse que havia sonhado com alguns números e lembrei de todos, mas o bicheiro não apareceu, e nós, presos sem poder passear.Até que ele decidiu largar aquele vício para la e fomos ao passeio. Voltamos tarde e fomos dormir. No dia seguinte, bem cedo ele foi conferir e tinha dado os mesmos números, ele ficou pensando em tudo que poderia fazer com aquele dinheiro, mas a sorte já havia passado.
Foi só naquele dia, não saiu nem sombra de prêmio.

                    Maria Raquel Penido Rosa- 28.07.2012

Pois é, olha só que sacanagem com meu avô. Justamente no dia que ele não fez a fé dele, os números saíram. Sabe-se lá qual plano Deus tinha pra ele. Acho que foi melhor assim. Só sei que o vício de apostar na sorte não passou nada. A vida inteira meus dois avôs fizeram apostas na casa lotérica.

Acredito que após a morte nosso corpo e alma são devolvidos ao cosmos em forma de energia. Pude sentir meus avós lá em Trancoso. Senti meu avô Arthur nas praias de Porto Seguro. Ele foi convocado na Segunda Guerra Mundial, esteve lá enfrentando o medo e protegendo a costa brasileira.  
Eu parei pra olhar o céu, uma imensidão de estrelas e pensei que eles poderiam estar ali, pois foram estrelas em nossa vida. Luz volta a ser luz. Trevas volta a ser trevas. Dos meus olhos escorreram lágrimas que ao chegarem à minha boca me trouxeram o gostinho do mar. Dentro de nós existe um mar imenso de possibilidade. Eu escuto e vejo os sinais. Choro ao contemplar a imensidão do universo, a grandeza de Deus e o mistério que ronda tudo isso. Só posso ser grata. Eu choro em ver tanta beleza.

E que todas as energias boas que meus avós cultivaram aqui na Terra voltem ao Cosmos e aos seus. Seremos sua eterna família, eterna linhagem! E um dia voltaremos como eles ao universo. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Dica da KK




Esse texto não é meu, mas achei bacana publicar.
Pra que fique bem claro!

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos: Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. 
Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos e, às vezes, perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo é preciso terminar o antigo.
Diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará. 
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba. Mas, porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é".


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Queria ser apenas eu mesma




Querida Paula Pimenta,

Eu sinto às vezes que queria ser você, pois seu sucesso me inspira e estimula.
Começamos juntas em 1994 cursando Publicidade e Propaganda na PUC de Belo Horizonte. Formei em 1998 com aquela sensação que ia trabalhar o resto da vida numa agência de propaganda. Eu não fiz intercâmbio, mas sempre tive vontade. Sempre gostei do “Menudo” e de todos os filmes e músicas que você recomenda nos seus livros. De vez em quando, ao ler suas crônicas sinto como se fosse eu. Temos tantas coisas em comum!
Mas, como todos nós somos indivíduos, temos nossas particularidades.
Isso sim é bem legal! Cada um tem uma história pra contar e como já dizia o slogan da marca Free de cigarros da década de 90: “Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum.”
Diferente de você eu sou uma menina do interior. Adoro casa de vó e fui criada no quintal chupando jabuticaba. Sem faculdade na minha cidade, fui obrigada a vir estudar em Belo Horizonte. Meu mundinho virou mundão!
Morei sozinha e aprendi com 16 anos a fazer tudo sozinha. Acordar bem cedo, pegar ônibus para variados lugares, pagar contas em banco, cozinhar e fazer faxina. Quantas vezes eu chorei baixinho, sozinha em meu quarto, querendo um colinho de mãe, de pai ou de vó e não tinha nada disso. Pra piorar a situação não tinha namorado, mas tinha muitas amigas.
Queria ter feito intercâmbio, mas minha mãe achava muito caro.
Fui fazer Publicidade e Propaganda na PUC e desejei ardentemente viajar para o exterior. Mas, o destino me pregou uma peça. Depois de tantos anos sem namorado, já quase formando o cupido veio com sua poderosa flecha do amor e me prendeu à um homem daqui de Beagá. Pra piorar mais ainda, um homem com raízes fortes aqui na terrinha, com um ex casamento e filhos pequenos. Ele não desejava como eu morar no exterior e nem podia. Justo no momento de trabalhar e alçar novos voos, o anjo cupido que tanto chamei em minhas orações aparece e acorrenta ao coração despedaçado de um homem divorciado.
Pois é, será que esse meu destino já estava escrito? Maktub, como os árabes dizem, “já está escrito nas estrelas”.
Sei lá, Deus escreve certo por linhas tortas. Mistérios do destino. Eu não tinha olhos pra mais nada.
Ganhei uma viagem pra Londres depois da formatura em 1998, pensei que seria uma ótima oportunidade para não voltar. Que nada! Contei os dias para ele chegar e me buscar, voltar e amar! Como é bom amar e ser amada!
Resultado: casamento e um filho lindo que já tem quase 9 anos.
Quando assustei uma década se passou. O que eu tenho? Um currículo que nenhuma agência de propaganda quer e um monte de crônicas entulhadas na gaveta.
Desde criança sonho em ser escritora, agora me vejo de novo diante desse sonho.
Nós duas sabemos que nosso destino foi construído por causa de pequenos detalhes. O que falta em você eu tenho. O que falta em mim você tem. Será que nunca conseguiremos ser plenamente felizes?
Cada um carrega uma história que é só sua, e isso faz cada um muito especial e individual.
Outro dia vi esse texto numa propaganda e fiquei encantada:
“Seu nome carrega uma história que é só sua. Ninguém pode apagar. Porque só existe um de você. E é isso que importa no final. Sua história é única!”
Sendo assim fiquei mais feliz, respirei fundo e pensei comigo: Não quero ser a Paula Pimenta, quero ser eu mesma. Agora é só arregaçar as mangas e trabalhar duro!
Obrigada por servir de inspiração para tantas pessoas como eu que nunca desistem dos seus sonhos. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O casamento e a mulher forte




O casamento é uma longa partida de buraco. Engraçado como um casal como meus avós, que fizeram Bodas de Vinho, 70 anos de casados, se revelavam numa partida de buraco.
Eles demonstravam total companheirismo, pois mesmo vó não estando muito afim ela cedia aos pedidos do maridão.
Brigavam o tempo todo, em silêncio, implicando um com o outro e resmungando palavras pelo canto da boca. Ali passavam horas, o pêndulo do relógio de um lado para o outro. Ela batendo na mesa, ritmado. Ele reclamava de suas cartas e vez ou outra jogava uma no chão ou escondia debaixo do bumbum. Ela gostava de canastra limpa, ele gostava de sujar tudo. De vez em quando uma cervejinha para amenizar os ânimos.
Minha maior declaração de amor por eles era jogar junto, pois eu realmente não gostava. Mas, o melhor era ficar apenas observando, filmando, fotografando. Afinal, em briga de marido e mulher ninguém mete a colher!
Depois de tanta competição, eles recolhiam o baralho e iam juntinhos tomar o chá da noite.
Isso é casamento: em todas as horas estavam unidos.
No meu caso, se eu competir com meu marido a situação pode ficar feia, o ressentimento de uma partida de buraco pode dar vazão a outras embates, e uma reclamação pode puxar milhões de outros lamentos. Ou seja, nunca competimos.
Casamento é assim, aguentar as coisas boas, as lamúrias, as competições diárias, acolher o perdedor e reconhecer o vencedor, sem guardar rancor.
E assim iam eles para a cozinha, ou vó preparava a mesa de lanche lá na sala de TV mesmo.  Depois de tantas horas no combate, tomavam chá, cuidavam um do outro e falavam amenidades, como se nada tivesse acontecido.
Ela pegava as famosas torradas que fazia com o pão em excesso que a vida inteira vô insistia em comprar. Pra quê brigar?
-“Biga não.” Era o lema de vó Tide.
Só porque ele cisma de comprar oito pães para três pessoas? Por isso vó ficou conhecida com a rainha das torradas mais gostosas do mundo. Ela nunca economizava na manteiga! Ela também não economizava no açúcar. A vida tem que ser doce, não é, vó? Por isso sua salada de fruta era bem calórica!
A vida já é tão dura às vezes que o melhor mesmo é tomar chá com torradas bem amanteigadas e depois uma salada de fruta bem açucarada. Isso sim faz bem pra saúde! Faz bem para o coração! Uma mulher que adoça a vida dos filhos e do marido! Uma mulher que não briga por qualquer bobagem! Se quiser competir vá para o mercado de trabalho. A casa dos meus avós nunca foi lugar de brigas e discussões.
Sempre pensei que vó era uma mulher frágil, mas chego à conclusão que a força dela estava aí, nas lutas cotidianas que não travou. Resistiu bravamente a vários embates para não cair numa discussão legítima e não afastar sua família. E em tom de confissão ela me contou no dia da Bodas de Diamante (há 12 anos atrás):
-Vocês acham que foi fácil chegar até aqui. Não foi um mar de rosas. Seu avô era difícil. A mulher tem que saber levar.
Isso aí, vó. No casamento a mulher virtuosa sempre sai vitoriosa.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Diálogo com vó




Conversando com vó Tide

- Ai que fome!
Falei ao chegar em casa.
- Mata o homem e come.
Escutei vó Tide falar com aquele tom de recriminação e gargalhada. Desde que ela se mudou pro “andar de cima” eu comecei a conversar com ela através das inúmeras fotos pregadas pela casa. Agora mais do que nunca, obviamente por causa da proximidade do aniversário. Escuto a voz que vem do coração. Aprendi muitas coisas com ela, peguei o jeito dela falar, anotei as gírias, repito na minha mente sua voz, seu jeito, seu olhar e até seu cheirinho dá pra sentir. Dessa forma é como se a enxergasse. Aprendemos com o tempo que “só se vê bem pelos olhos do coração”, pois é isso mesmo, agora a vejo mais do que nunca. Isso acontece quando queremos muito a pessoa perto da gente e lembramos constantemente de tudo que se passou entre nós nessa vida.
Outro dia assisti a um filme lindo com a meninada de férias: Festa no Céu. Os filmes infantis cada dia me surpreendem mais com seus temas fascinantes. A resenha desse filme fala sobre a cultura da morte no México e como eles lidam com isso. Depois que a pessoa morte ou ela vai para a Terra dos Esquecidos, que é muito triste, ou para a Terra dos Lembrados, que é uma festa. Por isso, se queremos que nossos entes queridos e amigos fiquem felizes, temos que estar sempre nos lembrando deles com alegria. Simples assim. Contar suas histórias para as crianças, escrever livros, para que essa memória nunca seja esquecida. Assim, se você não matar uma pessoa no seu coração e na sua lembrança ela estará sempre viva e feliz em uma eterna festa no céu, reencontrando pessoas. Sinto que sou um canal de energias entre meus avós e as pessoas por conta da minha intimidade e da sensibilidade aguçada.
- Vó, olha meu vestido de oncinha!
Mostro coisas pra ela que sei que ela vai gostar. Quando preciso de ajuda, principalmente quando preciso de paciência com meu filho e meu marido, falo com ela:
- Vó, me ajuda. Você teve sete filhos e cuidou tão bem deles. Conseguiu manter a calma, o amor, ser carinhosa, respeitar a diferença entre eles, o jeito de cada um. Não pressionou e não era dada a qualquer tipo de chantagem, dessas que os pais usam pra convencer os filhos.
Resolvi estabelecer um diálogo, pois sei e já comprovei que ela tem muitos bons conselhos a dar. Creio que em 2012 eu escrevi um caderno chamado “Conselhos de vó Tide” e tem cada pérola! Ilustrei com fotos e depois cada um complementava o caderno com uma anotação pessoal, um conselho que relembrava dela. Ela amava mostrar o livreto e toda vez que eu ia visitá-los pegava-o para ler com minha boa entonação. Vô falava:
- Eu gosto quando Karina lê porque ela tem uma voz alta.
Agora mesmo eu olhei o sol lá fora, olhei para minhas pernas brancas e escutei ela me mandar bronzear. Sempre me dizia que meu marido ia gostar de ver as pernas moreninhas. E contava aquela história de que quando era moça em Nova Era tinha as pernas mais bonitas da cidade.
- Vó, você só tem bons conselhos a dar. Vamos continuar nossa conversa para sempre, olhando sempre pelos olhos do coração. Já disse e vou repetir que um dia, vou participar com vocês dessa festa no céu. E quando eu chegar você vai dizer: - ”Chegou Karina para tumultuar o ambiente! Fazer zueira, alegrar e iluminar a casa.”.
Sei que está me escutando, por isso vou dizer sempre:

- Obrigada, vó, por ter tirado meus piolhos com tanto carinho quando era pequena. (E a gente sempre ria desse comentário). E é bom rir sempre com você. Agora deixa eu tomar meu banho e passar aquele talco perfumado. Hoje não posso dormir depois do almoço como você me aconselhou. Tá bom, vó, gelatina e maça. Preciso criar esse hábito! Para pele, né?

domingo, 9 de agosto de 2015

Pais imperfeitos



Eu me dei bem nascendo numa família cheia de bons exemplos, pais exemplares que não se encontram facilmente hoje em dia.
Recebi pelo whatsapp uma mensagem que falava assim: Um pai disse ao seu filho: “Tenha cuidado por onde caminhas”. O filho responde: “Tenha cuidado você... Lembra que eu sigo seus passos.”
Muito forte isso, não é?
Sim, mas hoje eu acordei muito solidária e aberta a novos tipos de pais. Tenho visto uma onda do perfeito “rolar” por aí. Os pais se esmeram tanto pois querem seguir o padrão ditado pela mídoa de ser pais e mães ao mesmo tempo.  Parabéns à feminilidade masculina, ops, sensibilidade masculina, mas eu não concordo que para ser um bom pai você tem que fazer tudo como trocar fraldas, levar no balett. Brincar de casinha ou ter papos cabeças com sua filha adolescente.
Já li muito sobre ser feliz e por isso eu afirmo que felicidade não é seguir todos os ditames do mercado e da contemporaneidade. Uma dica para hoje e sempre: não se apegue ao modelo de felicidade.
Os pais imperfeitos são 100%, afinal, ninguém é perfeito.
Seja feliz com o pai que você tem.
Ame-o.
Deseje um Feliz Dia dos Pais a ele.
Vá até ele.
Diga a ele: “Pai, você me ensinou que a felicidade é torta, mas eu sou feliz por ter você.”
Não se apegue ao que falta.
Se apegue ao que tem.
Quem consegue ser alegre com a vida é simplesmente uma pessoa feliz.
Os casos mais lindos que existem entre pais e filhos são aqueles em que existe o perdão. Os pais aprontam com a vida, com eles mesmo e com os filhos. No final, recebem mais amor do que nunca, pois os filhos também tem muito que ensinar aos seus pais.
O que mais existe hoje em dia são pais imaturos cabendo aos filhos o papel de levar o amor, a paciência e a boa convivência ao lar.

#ameseuapideqqjeito
#todopaivaleapena
#amomeupaidojeitoqueleleé



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

EU




Fui boneca da mamãe.
Ganhei uma prancha de isopor cor-de-rosa.
Aprendi desde pequena a torcer para o Atlético Mineiro.
Vesti de anjo muitas vezes e posava na procissão de Corpus Christi.
A primeira praia que conheci foi Porto Seguro. 
Sou a filha do meio e a única mocinha.
Estudei na Escolinha Serelepe e andei no Beco do Calvário. 
Gostava de usar o óculos escuro da minha mãe e andar no Fiat 147 do meu pai. 
Tive muito piolho e minha mãe cortou meu cabelo curto. 
Fui criada no quintal de vó e vó no meio de muitas plantas e pés de jabuticaba. 
Sempre gostei de bebês. 
Já tive quarto de princesa. 
Já desfilei carregando a bandeira do Brasil. 
Fiz ballet na academia Leandro. 
Fui gorducha e sofri bullyng por isso. 
Falava muito e era simpática. 
Sempre tive boas amigas. 
Dancei Menudo com minhas primas de Belo Horizonte e passava férias na casa delas. 
Usei aquela gominha da Xuxa que arrancava os cabelos.
Fiz book de 15 anos, uma festa de arrasar e dancei valsa. 
Mudei pra Belo Horizonte e estudei no Promove. 
Fui muito fã do New Kids on the Block. 
Fiz novas e melhores amigas. 
Usei aparelho fixo por três anos. 
Morei de república, cozinhava e faxinava. 
Ralei em Belo Horizonte sem o aconchego dos meus pais. 
Fiz muitas festas loucas no apartamento do Santa Efigênia.
Passei na PUC para Publicidade e Propaganda. 
Ganhei minha primeira câmera, fiz festas no quintal de vó. 
Gastei muito dinheiro em rolos de filme para a máquina analógica. 
Acampei e quase morri de frio.  Filmei um curta em Itabira que nunca ficou pronto. Tive uma jaqueta de cobertor xadrez que usava na Feane.
Amo reuniões de família. Tenho a sensibilidade aguçada e gosto de abraçar as pessoas. Tive uma bota cowboy e usei durante os quatro anos de faculdade, até furar a sola.
Descobri uma paixão louca e desafiadora. Lutei por ela.
Formei e troquei minha festa por uma viagem pra Londres. Trabalhei em agências de Publicidade e Propaganda e queria conquistar o mundo!
Conquistei o coração de um homem e com ele resolvi me casar. Quebrei paradigmas. 
A vida me fez forte sem perder a ternura.
Paulo e Arthur conquistaram meu mundo. O mundo interior que deve ser explorado antes que exploremos outros mundos! Pra mim, eu já tinha conquistado tudo! Minha família!