Quando estava sentindo muita raiva, li uma crítica sobre
o livro “A virtude da raiva”. O subtítulo me chamou mais a atenção: “E outras
lições espirituais do meu avô Mahatma Gandhi”. Em março de 2019 entrei na
livraria, li a sinopse e o comprei.
Fiquei encantada por vários motivos: Primeiro porque o
livro foi escrito por um neto que aprendeu lições de vida com o avô, um ser que
influenciou e ficou conhecido no mundo inteiro, Gandhi. Eu também escrevia
sobre meus avós, e tudo que diz respeito a esse tema me interessa. Segundo que
aprendi muito com a cultura indiana, que é de uma sabedoria elevada. Terceiro
que conheci mais da história de vida desse grande líder espiritual e guerreiro
contra as imposições de consumo e domínio da Inglaterra. È um livro que fala
sobre direito humanos e como devemos nos portar diante da raiva, do ódio de
outras etnias, de humildade, de comer saudável e de consumo consciente. Fiquei
feliz e triste, pois Gandhi, foi assassinado, pelo mesmo povo que ele tentou
ajudar.
A roda de fiar era a meditação de Gandhi e isso me
mostrou que a vontade de aprender a fazer algo manual é uma necessidade do
corpo e da mente se distrair. Em silêncio e trabalhando colocamos nossos
pensamentos em dia.
Gandhi dizia:
“Use
a raiva para o bem. A raiva, para as pessoas, é como o combustível para o
automóvel. Ela nos dá energia para seguir e frente e chegar a um lugar melhor.
Sem ela não teríamos motivação para seguir em frente e chegar a um lugar
melhor. Sem ela, não teríamos motivação para enfrentar desafios. A raiva é uma
energia que nos impele a definir o que é justo e o que não é.
A
compaixão e o perdão é a cura de todo mal.
Ao longo da vida, Gandhi foi agredido, atacado e preso,
além de ser vítima de oito atentados.
O neto carinhosamente conta a história do avô, Babuji. E
conseguiu aprender vários conselhos: ele usava a fama e bajulação para
arrecadar dinheiro aos pobres, preservava a solidão para encontrar a paz interior
e acreditava que precisamos tornar a vida mais tranquila.
Bapuji acreditava que devemos dedicar nosso tempo à busca
da Verdade – palavra que ele sempre escrevia com letra maiúscula pois
acreditava ser o objetivo da vida. Se nos esforçarmos para encontrar a Verdade,
chegaremos mais perto de compreender o sentido da vida.
Depois de assistir uma missa de domingo em junho deste
mesmo ano, o padre pediu doação de cobertores. Como sempre vou buscar Arthur na
escola, um dia, chegando mais cedo, entrei na igreja para fazer a doação. Na
lojinha encontrei o novo livro do padre Fábio de Melo; “Por
onde for teu passo, que lá esteja o teu coração.” Comentei com a moça da
loja que já tinha lido outros livros dele e achei muito bons: È Sagrado Viver,
Mulheres de Aço e de Flores, e, Quem me roubou de mim. O padre escreve muito
bem, com sensibilidade e poesia.
Estou vivendo um momento de transformação. Imagino que
deve doer para as lagartas se tornarem borboletas. Elas ficam presas dentro de
um casulo e sofrendo mutações até ressurgirem do escuro e da clausura para
voarem lindas, leves e soltas. A transformação é radical, de lagartas
rastejantes a borboletas voantes em busca do néctar das flores.
Daí, logo no início, o livro me fala:
“De
repente acontece. O olhar muda de foco. ... É do íntimo do olhar que criticamos
as circunstâncias que nos envolvem, os pedidos que elas nos fazem, e
identificamos os riscos e as possibilidades que elas nos oferecem.”
“Os
hábitos que não incluem a vida interior fazem com que o ser humano permaneça
distante de sua consciência.”
“De
vez em quando é necessário perder as proteções que a vida adulta nos emprestou.
É necessário retornar à nudez original, à vulnerabilidade que nos coloca diante
das perguntas e dos conflitos que adiamos por puro desrespeito a nós mesmos.”
Deus está falando comigo. Ele colocou esse livro em minhas mãos
para que eu entenda que todas as pessoas se perdem no meio do caminho e tentam
buscar novamente sua essência. Meu divórcio significa isso.
Logo após meu aniversário, Lu Caldas traz dois livros
para mim. A biografia de Frida Kahlo e Marilyn Moroe.
Começar lendo a história de Frida me trouxe acalento e
resignação. Primeiro porque a gente tem que conhecer a história de quem é fã e
segundo porque ela me passou a coragem que preciso para encarar minhas feridas.
Mais do que imaginei Frida sofreu no corpo e na alma. Já nasceu doente, com
poliomielite, e uma das pernas defeituosa. Depois do acidente de bonde aos 19
anos, começou seu martírio e as 39 cirurgias para costurar o corpo todo
partido. Muitas dores e gessos a levaram a pintar na cama. Até conseguiu se
casar com Diego Rivera, mas o homem era mulherengo e a traiu várias vezes,
inclusive com sua irmã. Frida tinha o corpo frágil, mas sua alma era indomada.
Viajou, morou sozinha no exterior, ficou independente do famoso marido vendendo
seus quadros e também seduziu vários homens. Seus amantes ficavam encantados
com o magnetismo de Frida e sua arte tão original e mexicana.
O mundo se rendeu aos seus trajes típicos, que eram para
chamar a atenção, valorizar sua cultura e esconder o problema da perna com as
saias longas.
Eu e ela, Fridas Feridas!
