Morte de vó
Tide
Se
o céu está em festa
A
Terra está chorando.
Queria
ser aquele sapo atrevido
Que
entra no violão para participar da festa.
Mas,
não tenho asas para voar.
E
depois, tem que ter convite para entrar.
O
céu está em festa e a Terra a chorar.
Deus
resolveu colher “Rosas” para a festa decorar!
Nós
aqui, sapos ainda temos muito que enfrentar.
Aprender
a andar é fácil, quero ver aprender a voar!
A família
perdeu uma fonte que jorrava forte e nos dava de beber: Fonte de amor, carinho,
mimo, cafuné, apoio incondicional. Nem sabemos mais como agir. Ainda
continuaremos aqui aprendendo que a vida não é fácil. Seguindo os caminhos para
um dia sermos convidados para essa grande festa.
Vó Tide
não quis esperar mais. Após doze dias que seu marido faleceu, ela já estava pronta a esperar. Beijava sua fotografia no "santinho" e dizia baixinho: "Vem me buscar, meu amor."
“Eu não
sabia que minha história era mais bonita que a de Robison Crusoé.” Já dizia
Carlos Drummond de Andrade, no poema “Infância”.
Essa
história de um amor eterno que nem a morte pode separar é digna de cinema.
Juntos eles nos ensinaram o significado real das palavras FAMÍLIA,
COMPANHEIRISMO, CUMPLICIDADE, UNIÃO, CARINHO E AMOR.
Despedimos
de um casal apaixonado que fica na lembrança do povo de Itabira nas caminhadas
de mãos dadas pelas ruas. Despedimos de uma casa mágica que ficou escura sem a
presença dos dois. Sentiremos eternas
saudades daquele “tchau” na sacada.
Fiquem
certos que a dor vai passar, pois a beleza dessa história irá nos consolar.
Vai, vó,
passear de Elba com seu eterno namorado. Lá tem vestido de oncinha, brinquinho
de pérola, chá, bananinha prata, maça, gelatina e baralho pra jogar. E o que é
melhor: tem vô pra namorar!
Um dia não quero ser mais sapo pra poder voar livremente a te procurar.

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