segunda-feira, 30 de novembro de 2015

2015 foi um terror!




No Natal do ano passado estávamos todos juntos, como de costume. Vó Tide, Vô Rosa, os filhos, netos e bisnetos no Casarão Rosa. A vida é bela!
Eles estavam com os cabelos branquinhos, cansados, dormiam muito, comiam pouco. Reclamavam de tudo, implicavam com todos e entre eles. Já davam sinais que estava chegando o final da caminhada.
Durante a noite de Natal estávamos na sala de fora onde sempre foi montada a árvore e o presépio. Meu avô ficava entretido nessa arrumação, inclusive das luzes que colocava na sacada. Durante vários dias, ele testava os fios, fazia suas gambiarras, fita isolante, pregos, martelo, barbante e por aí vai. Mas, no ano passado ele não fez nada disso.
Meus avós tinham adoração com o presépio. Os bisnetos pequenos chegando correndo pela sala e vó Tide pedindo para tomar cuidado com as imagens antigas, principalmente do Menino Jesus.
Em todos os anos foi assim: levavam o menino Jesus, de mãos dadas, para nascer na manjedoura, no dia 24 de dezembro. Nem todos participavam juntos, alguns preferiam ficar lá no quintal, bebendo sua cerveja. Mas, no ano passado, foi diferente. Algo sobrenatural aconteceu. Fizemos uma encenação da noite de Natal, sem ensaio, espontânea, tocante. Os dois lá, assistindo a tudo. Adultos e crianças se envolveram nas tarefas de assumir seus papéis e fazer tudo com envolvimento. Foi um espetáculo! Depois um círculo foi formado e demos as mãos. O Menino Jesus circulou de mão em mão, recebendo beijos de todos nós, agradecimentos e pedidos. Claro, que pedimos apenas coisas boas.


Porque não passa pela cabeça do ser humano que o pior pode acontecer? Ou se passa, preferimos ficar com o pensamento positivo e evitar enfrentamentos.
Ninguém poderia prever que os dois iriam falecer, meu avô em março e em seguida, abril, minha avó.
Alguém poderia prever a tragédia da Samarco Mineração e impedir as mortes e a destruição da vila de Bento Rodrigues?
Alguém poderia prever a morte do Rio Doce. E se previram, fizeram alguma coisa? Nada foi feito, nada foi dito. A vida seguiu.
E o destino aparece de repente em forma da Dona morte, amiga, acolhedora. Vários sinais foram revelados para quem tem olhos ver, quem tem ouvidos escutar, quem tem alma sentir.
Assim aconteceu com outras grandes tragédias de 2015. Os sinais foram manifestados. 
O pássaro Fênix, da mitologia grega, entra em combustão antes de morrer para depois renascer. Se das cinzas a Fênix ressurge, podemos levar esse ensinamento para nossa realidade. Que por trás da crise econômica brasileira surja uma nova frente de pessoas honestas que queiram mudar esse país. Que por trás de tantos atentados terroristas surja a união entre os países do mundo, a solidariedade e a paz. E desse mar de lama que matou o nosso Rio Doce, surja uma nova oportunidade para a natureza. Maior consciência ecológica por parte da sociedade e dos empresários.
Se esse ano foi ruim, o outro deve ser melhor. Por que a vida é feita de ciclos, ou melhor, é como uma montanha russa, logo depois de uma descida tem a subida.
É difícil mudar, sair de uma situação confortável e assumir riscos. É como colocar os pezinhos na rua num dia de chuva e correr sem sombrinha por aí. No início a gente acha ruim, mas depois acostuma com a chuva e começa a dar risada, pular nas poças e se divertir. O jeito é mesmo dançar na chuva, porque em 2015 choveu canivetes no meu quintal. Acho que está assim pra todo mundo. “Não tá fácil pra ninguém.”.
Que por trás de tanta lama figurada e literal, ressurja a esperança. Mitologicamente essa possibilidade sempre existiu. Do caos sempre deve surgir ordem, das trevas a luz, da morte a vida.
Essa crise é um momento de nos retrairmos assim: olhamos pela janela, e a chuva forte cai lá fora, como não conseguimos enxergar o que tem na frente, paramos e pensamos: pra quê me arriscar? Mas, tem um ditado que diz: quem não arrisca, não petisca.
Por isso, “corra, Lola, corra” de bota sete léguas e não leve guarda chuva. Quem está na vida é para se molhar!
Esse Natal vai ser bom pra mim e pra minha família. Apesar de ser totalmente diferente. Seguiremos o exemplo dos meus avós, de colocar o Menino Jesus na manjedoura com todo carinho. Nele carregamos nossa esperança de que um novo ano comece, com novas forças, novas esperanças. Nosso maior símbolo de ressureição e vitória.


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