Quando eu era pequena surgiu um monte de pintas no meu
corpo. No meu pescoço meu pai identificou três pintas que tinham a mesma
simetria que as Três Marias. (Três
Marias é o nome popular dado a um asterismo de três estrelas que formam o cinturão da constelação de Orion, o
caçador. As estrelas, facilmente identificáveis no céu pelo brilho e por
estarem alinhadas.
As minhas três pintas
também eram assim, simétricas e bem visíveis no meu pescoço. Eu sempre me achei
muito importante por causa disso.
Hoje em dia percebi que as
pintas mudaram. Uma das Marias cresceu demais e virou uma verruga bem feia. Por
um tempo fiquei apegada, pensando que, se eu a tirasse dali poderia atrapalhar
todo o sistema galáxico. Depois eu pensei que esse problema astrológico não era
bem meu. Saí de dentro do meu umbigo, que é enorme, e fui pra dermatologista a fim
de cometer um assassinato.
Coitada da Maria... mas,
me consolei lembrando que um dia fui no Museu do Conhecimento, ali na Praça da
Liberdade, e descobri que existe uma galáxia com meu nome: Carina.
Desculpe, Maria, mas sua
hora chegou! Como as estrelas você vai
morrer, mas seu brilho continuará existindo no meu coração. E as outras que não
se atrevam a virar verrugas, porque senão serão retiradas também.
Saí da dermatologista sem
as Três Marias, mas mantenho uma galáxia de brilho em meu universo!
Para quem amou “A culpa é
das Estrelas” e não sabem que o brilho das estrelas continua a chegar à Terra
por muitos séculos mesmo depois que elas morrem. Por isso, o nome que o autor
escolheu para o livro sobre os jovens que morrem de câncer.
“As estrelas
parecem ser eternas mas não são. Elas nascem, vivem e morrem. Até mesmo o Sol,
que é uma estrela (e não das maiores), um dia também vai acabar. Um dia daqui a
cinco bilhões de anos... Com telescópios poderosos e a ajuda de observatórios
espaciais, os astrônomos conseguem ver as transformações das estrelas. E
descobriram, entre outras coisas, que quando olhamos para o céu, uma parte das
estrelas que vemos já morreram há muito tempo. A sua distância de nós era tão
grande que, quando a luz que emitiram chega até aqui, elas mesmas já não
existem.” (texto da internet)

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