Em minhas
orações sempre peço a Deus para ser instrumento de Sua vontade.
Hoje eu fui
fazer compras no supermercado e via moça que trabalha no estacionamento
mancando com uma bota ortopédica. Normalmente não a vejo andando, vejo-a pela
janela do meu carro e ela fica sentada horas numa minúscula cabine. Ela é uma
loira, pálida, com rosto marcado pela vida de duros trabalhos.
-“Uai,
menina, o quê você arrumou no pé?” Perguntei àquela mulher que já virou minha
amiga, pois pelo menos três vezes por semana nos falamos um pouquinho. Mesmo
pela janela, procuro lhe dar um sorriso para aliviar as tensões do dia. Se eu
estou estressada, imagina ela? O dia inteiro entregando bilhetes para
motoristas carrancudos e pouco educados.
Ela me
respondeu que já estava assim há dois anos. Foi atropelada na Avenida Nossa
Senhora do Carmo e teve fratura exposta. O DPVAT pagou três mil reais na época
e ficou por isso mesmo. Até hoje ela faz fisioterapia e anda com a bota
ortopédica pela rua afora. E quem paga por isso? O carro que a atropelou? O
governo? Não. Ela mesma. Com um mísero salário de atendente de estacionamento e
ela ainda tem que pagar caro o resto da vida por ser atropelada por um
descuidado qualquer. Poderíamos ficar ali lamentando tanta desgraça, mas eu
preferi mudar o rumo da conversa. Para quê lamentar?
Observei com
mais atenção os pés dela e as botas estavam em estado calamitoso. Já estavam
furadas pelo esforço de andar muito no asfalto.
-“Preciso
trocar de bota mas, não tenho dinheiro. Meu salário é todo contado. Onde vou
arrumar cento e cinquenta reais?
Meu olhar,
antes de tristeza e indignação começou a brilhar de felicidade.
Como num
filme passou pela minha cabeça em milésimos de segundo uma bota ortopédica que
Paulo comprou há uns cinco anos atrás quando torceu o tornozelo.
-“Você acaba
de ganhar uma bota de Natal!” Disse a ela, exultante de felicidade.
Dei um
abraço para confortá-la e para que ela tivesse tempo de refletir sobre o
acontecido.
Para quê
ficar se lamentando se até nas piores tragédias sempre tem o lado positivo.
Chegamos à conclusão que o melhor que temos a fazer é agradecer por esses
momentos mágicos que passamos pela vida.
Estou
satisfeita por ser uma ponte entre Deus e as pessoas.
Quando você
pensa que Deus não está olhando pra você, veja o que Ele faz!
Não quero
aqui fazer propaganda de minha caridade.
O mais importante
é a atenção que sempre dispenso às pessoas que fazem parte do meu cotidiano.
Principalmente os mais necessitados.
Estou muito
feliz por fazer alguém feliz.

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