Olimpíadas Rio 2016
As prévias para as Olimpíadas foram desastrosas.
Pipocaram vídeos na internet falando sobre os riscos que os atletas e turistas
corriam se chegassem ao Rio de Janeiro. Depois teve o acidente com a ciclovia,
inaugurada há poucos meses, que caiu por causa de uma onda, matando três
pessoas. Muitos comentários dizendo que
o povo precisa de saúde, educação e políticos honestos. Olimpíadas é um luxo que o Brasil não pode
ter. O Rio de Janeiro gastou muito em obras e se modificou, revitalizou bairros
como a Lapa e o centro histórico. Estou louca para conhecer o Museu do Amanhã.
Mas, o mundo está perigoso por causa do terrorismo.
Próximo ao início dos jogos teve o ataque terrorista em Nice em que um caminhão
passou por cima de pessoas que comemoravam o Dia da Bastilha.
Além disso, tinham metas a serem cumpridas que não sairam
do papel: despoluição da Lagoa de Jacarepaguá e da Baía da Guanabara. Segundo
minhas pesquisas foram gastam 39 bilhões, a maior parte investimento
particular, mas 17 milhões foi dinheiro do setor público.
O medo de um ataque terrorista fez com que eu desistisse
de tentar ir nessa Olimpíada. Eu acho que quanto mais gente aglomerada melhor
para os terroristas, ainda mais se tratando de um evento de visibilidade
mundial. Além disso o medo de ser assaltada por um arrastão.
E o tanto que criticaram a tocha olímpica em seu passeio
pelo Brasil? Não esqueço o caso da onça que morreu por causa da
irresponsabilidade de alguns idiotas que tiraram a onça de sua jaula no
Zoológico para aparecer no desfile. A felina tinha o nome de Juma, envergonhou
o comitê olímpico, fugiu e foi morta a tiros. Lembrando que esse desfile não
era gratuito, os municípios pagavam cento e oitenta mil reais para receber a
tocha.
Enfim, depois de tanta miséria humana, chacotas e
reclamações, o clima mudou. As notícias da TV passaram a ficar ótimas,
empolgantes, como propagandas bem produzidas.
A abertura foi um show, foi elogiada por todos, “bombou”
nas redes sociais. Muitos alegavam estar com receio de passar vergonha diante
do mundo inteiro. #soquenao
Desde então trocamos de roupa, tiramos a camisa preta e
vestimos a verde e amarela.
Torcemos pelos nossos atletas, vibrando com suas vitórias
e chorando suas derrotas.
A cidade maravilhosa ficou ainda mais maravilhosa.
Turistas do mundo inteiro interagindo, gastando dinheiro e apreciando da famosa
hospitalidade.
Sempre torço pelo Brasil, mas em eventos muito lotados
prefiro ficar no sofá da minha casa comendo pipoca e bebendo cerveja.
Depois dos quinze dias de competições e medalhas,
acompanhadas de histórias emocionantes, nos despedimos da grande festa com um
espetáculo de encerramento.
Tive a certeza que, se Deus não é brasileiro, gosta muito
de nossa terra, pois não fomos atacados pelos terroristas.
O que aprendemos com as Olimpíadas?
1-
Valorizar a diversidade humana e seu
potencial.
2-
Investimento no esporte como ferramenta de
educação para nossas crianças e jovens.
3-
Esse investimento tem que ser a longo prazo,
oferecendo tranquilidade e segurança para os atletas.
Foi lindo de ver a abertura,
mas o encerramento foi um show mais emocionante e pudemos respirar aliviados.
Os organizadores cuidaram
perfeitamente da trilha sonora, incluindo apenas o clássicos da MPB, começando
com músicas bem antigas e terminado em samba. Como não poderia ser diferente no
Rio de Janeiro, no final, estavam todos juntos e misturados, sambando (só não
terminou em pizza).
Foi emocionante porque todos
que trabalharam ali se esforçaram pra caramba e estavam orgulhosos daquela
festa.
Senti os corações batendo
junto ao som da bateria da escola de samba. Os atletas se misturaram aos
dançarinos e virou uma “muvuca” de alto astral, alívio e felicidade. Não posso
deixar de comentar os maravilhosos fogos de artifício que iluminavam o Maracanã
com figuras e cores de impressionar.
Sentada no sofá com meu
filho eu me arrependi de não ter ido para essa “confusão”. Apesar da Tv nos
proporcionar imagens incríveis, “replay” e “slow motion”.
As Olimpíadas do Rio 2016
ficarão para sempre na memória dos brasileiros. Uma boa lembrança, de orgulho e
esperança.
Mas, no final, temos que
pagar a conta. A “dolorosa” e fria realidade na qual vivemos agora.
Parece que já passou muito
tempo, não é?
Nada. Foi semana passada.
Estou muito atrasada
com essa crônica.


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