Eu votaria em você, caro candidato (a), se aparecesse de
vez em quando no Parque Aggêo Pio Sobrinho fazendo caminhada comigo, ou
participando dos inúmeros eventos que tem por lá. Poderíamos também encontrar
no supermercado e trocar um “bom dia”. Queria conversar com você sobre os
problemas do bairro e da cidade como faço com a dona da banca de revistas e com
os caixas do sacolão. Já tem 14 anos que moro no bairro Buritis, os mais
antigos comerciantes são meus amigos. Vejo-os quase todos os dias, conheço-os
pelo nome. Você, caro candidato(a), eu nunca vi por aqui.
Eu votaria em você se visse a empolgação de agora no
dia-a-dia de Belo Horizonte ou de qualquer outra cidade. Se você ajudasse a inibir a panfletagem nos sinais de trânsito. Se cuidasse melhor de nossos
espaços de lazer comum. Se organizasse o caos que a GASMIG fez por aqui desde o
ano passado, furando nossas ruas. Depois remendando com um asfalto de
péssima qualidade, que não dura nem seis meses.
Eu votaria em você se tivesse empenho em melhorar o
trânsito do nosso bairro, que está um caos. Todo mundo fica parado no trânsito,
inclusive, você, caro político. Então porque não fazem nada?
Tem candidatos de tudo quanto é jeito, só sei que eu
nunca os vi na peleja do cotidiano.
Eu votaria em você se ao longo de todos esses 14 anos que
moro aqui você já tivesse me dado motivo para tal coisa.
Pena que as boas intenções só aparecem agora. Pipocam
ideias geniais, propostas utópicas, coisas muito óbvias para fazer o mundo
melhor.
Pena que o óbvio ululante não é real. Pena que o óbvio é
uma utopia. Pena que meu candidato não existe, porque é um sonho que acalento
há anos.
Aquele candidato que existe no mundo real, que irei
esbarrar uma hora ou outra pelo meu bairro ou cidade.
Por que o Buritis era um bairro bom de morar a 14 anos atrás
e agora é um caos de tantos carros e gente? Porque não existe ninguém realmente a fim de encarar a vida real.
Eu votaria em você, caro candidato (a) se você existisse!

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