quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Chorar faz bem





Agradeço a Deus o dom de chorar.
Sensibilizar perante situações diversas e deixar o pranto invadir minha alma, deixar as lágrimas virem à tona e escorrerem torrencialmente. 

Eu ainda era bem criança e minha mãe me levou para assistir E.T. o Extraterrestre, nos cinemas de Belo Horizonte. Na hora que o bichinho está pra morrer eu comecei a chorar compulsivamente e minha mãe teve que me tirar da sala de cinema. Foi assim soluçando e chorando alto que deixei minha mãe perplexa e envergonhada. 

Outra vez foi quando a princesa Diana morreu. Nossa, eu chorei mesmo, ela não merecia, era uma santa, tão bela e tão sofrida. 

Também fiquei estarrecida quando três amigos morreram de acidente de carro na estrada mais viajada por todos os meus familiares e amigos mais próximos. Eu passei por meses em estado de luto, impressionada, sonhava com eles e comigo morrendo naquela situação, chorei por muito tempo. 
Lembro-me de sentir que meu “mundo caiu” quando Ayrton Senna morreu e quando o avião da banda “Mamonas Assassinas”, explodiu nos ares, matando todos de uma só vez. 
Mas, muito pior foi o dia 11 de setembro, muito chocante aquele dia, fiquei inconsolável. Como pode um avião se jogar cheio de gente num prédio enorme também lotado de gente? E outros ataques vieram em seguida deixando os repórteres boquiabertos e nervosos.
Nessa hora todos ficam perdidos. É o fim do mundo! O fim da esperança! O fim da credulidade humana! Nessas horas nada explica nada e o melhor a fazer é senti profundamente. No meu caso é chorar. Pra quê fazer piadas se o momento é de profunda indignação?

Eu e minha prima entramos no cinema para assistir ao filme "Sociedade dos poetas Mortos". Na hora em que o Robin Willian é demitido da escola e os alunos, antes cheios de travas morais, sobem um a um nas mesas, batendo seus sapatos e recitando “Oh, captain, my captain”. Poxa vida, eu me esmigalhei de chorar, minha blusa ficou molhada, eu segurava a mão da minha prima que chorava baixinho. Eu não me fiz de rogada, chorei de soluçar e saí do cinema com aquele narigão vermelho e os olhos inchados. Na verdade, ficamos chorando por semanas, eu mais do que minha prima. Toda vez que eu contava do filme para uma amiga era hora do pranto rolar de novo.

Choro por grandes tragédias mundiais, e principalmente por coisas do meu cotidiano, por um homem velho mendigando na rua, sem família, sem ninguém que olhe por ele. Choro por um cão sarnento sofrendo na rua até que sua morte chegue. Choro pela criança que sofre bullyng na escola, pelo "não" que devo falar ao meu filho, pela saudade dos meus avós que partiram. Choro de indignação, tristeza, saudade, alegria, felicidade, paz na alma, agradecimento a Deus. Enfim, eu choro!

Choro agora, enquanto escrevo essa crônica e penso em tudo que me faz chorar.

O mundo precisa de mais pessoas sensíveis.
E dizem que chorar faz bem. Alivia as tensões. 
Então, junte-se a mim e chore um pouquinho.





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