quarta-feira, 20 de julho de 2016

Terapia entre mulheres

Estou terminando de ler o livro “Que ninguém nos ouça” das autoras: Leila Ferreira e Cris Guerra. Eu já era fã das duas porque são mulheres de destaque em Minas Gerais e brilham com seus livros por todo Brasil.
A Cris eu conheci através do site “Hoje eu vou assim”. Gostei do estilo, comecei a ler sobre ela e ler suas crônicas espalhadas pelas revistas e jornais de Belo Horizonte. Ainda não li seu livro, o primeiro, “Para Francisco”, mas sou muito a fim de ler.
A Leila eu sou fã por causa do programa “Leila Entrevista” que ela apresentou por vinte anos. Já li um de seus livros “A Arte de ser Leve” e a considero uma mulher batalhadora e talentosa, dona de um sorriso cativante.

Estou enrolando para terminar o livro porque essa terapia entre mulheres não deveria ter fim. Toda conversa entre as duas começa com um e-mail educado da Cris Guerra elogiando o livro da Leila “Viver não dói”. Leila responde e aperta o gatilho para um diálogo profundo, terapêutico, entre duas mulheres que se ajudam entre palavras confortantes e elogios escancarados. Muita cultura impregnada, alto astral desabafos, depressão, raiva do mundo, medo de ficar sozinha. Arrependimento por não ter sido mãe. Falam de tanta coisa, as duas dão risadas e choram uma com a outra. Eu estava na plateia rindo e chorando também. Lá pelo final do livro eu sinto uma cumplicidade enorme e uma enorme congruência de pensamentos. (Nossa, será que essa palavra que saiu da minha cabeça de “supetão” existe mesmo?).
Cris fala para Leila:
- “Somos do mesmo planeta!”.
Sinto como se fôssemos do mesmo planeta! É uma dádiva quando encontramos pessoas que pensam como nós.
Leila responde para Cris:
- “Somos sim habitantes do mesmo planeta, um lugar onde viver dói muito, mas é mágico. Onde não se tem medo de sentir nem arriscar. Fazemos da palavra nosso salvo conduto, nosso Prozac. Mas, só elas não bastam. Temos de provar, experimentar, dar a cara a tapa. Mulheres-mergulhadoras, que vão lá no fundo dos sentimentos, sem garantia de voltar à superfície.”.  
Peraí, essa sou eu falando ou elas que falam por mim? Pronto, elas me fisgaram porque a fala se confundiu, o sentimento é igual. Podemos dar as mãos e caminhar juntas.
Gentes, porque vocês tem que ser tão sinceras? Isso é bom demais da conta, sô! Num mundo de “facebookers” onde todos são felizes, o lado da tristeza, separações, filosofias, fica restrito aos bons livros.
É tão legal quando uma levanta a bola da outra. E assim vai crescendo uma relação de amizade. Apesar dos pesares somos alegres e temos amigos! Cada uma com seu problema, mas sorrindo sem cerimônias.
Leila também escreve uma frase que é minha cara, falando sobre como elas são e como eu também sou:
- “ Pensar não faz parte do planeta que viemos. Sentir vem antes e geralmente prevalece. Essa é nossa virtude e também nosso pecado mortal.”
Se alguma outra mulher se identificou com esse texto, essa é minha dica de livro: “Que ninguém nos ouça”, das ótimas e sensíveis Leila Ferreira e Cris Guerra.  

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