Queria me transportar para o céu.
Vô tinha xodó pela pequena e aparentemente frágil, Zazá.
No final da vida, cismou que era pai dela, queria cuidar e proteger. Não é
caduquice, é o amor fraternal.
Zazá sorria o tempo todo e era o carinho em pessoa.
A festa no céu deve ser do “balacobaco”. Ah, como queria
estar lá só pra dar uma espiada e voltar!
Mas, posso imaginar a cena: Vô Rosa e vó Tide de mãos
dadas, Heber Nunes a tocar uma boa música de fundo. Sentadas a tricotar estão
Stela e Rosita Rosa. Zé Rosa está lá na porta da loja. Antônio de Margarida a
contar seus maravilhosos causos para Sérgio Rosa, que também adora uma crônica.
Zazá desfila pelo salão, recém chegada é abraçada por todos. Encantada, com
aquele sorriso no rosto, ela caminha a passos largos, não mais está pequena,
ela cresce, ergue a cabeça e se impõe. Quer ver o que tem mais a frente, uma
luz forte vem surgindo e ela se aproxima sem medo. Lady, seu marido, surge por
trás da luz, estende-lhe a mão para uma dança. Seus olhos se encontram e eles
se apaixonam de novo. Suas almas se juntas no mesmo tempo, espaço,
trocando energias, como se nada tivesse acontecido. Girando e dançando ao redor
do salão, lépidos e faceiros. Ao girar mais e mais, ela vê seus filhos Geraldo
Eugênio e Agostinho. Ela se enternece com aquele amor de mãe, busca seus filhos
pelos braços e coloca suas cabeças próximas ao seu coração. O amor nunca morre,
não importa o tempo na Terra, no céu não existem ponteiros. É chegada a hora do
encontro e não há espera.
Na minha imaginação, depois que morremos passamos por esse túnel de emoções e "flash backs".
Lady a retoma para a dança e a gira em vários rodopios. E, a cada rodopio Zazá
rejuvenesce, toma feições de mulher mais nova, cheia de filhos ao seu redor.
Meninos correndo, ela cuidando e amando. Mais um rodopio e ela vê seu pai,
Doutor Rosa e sua mãe Zulmira. Ela quer parar aquela dança, quer
se aninhar no colo da mãe, adormecer. E assim acontece, quando acorda, se vê
menina, de vestido rodado e laço de fita no cabelo. Ela corre na rua de pedra
da Guarda Mór Custódio, brinca com seus irmãos. São tantos: Ruy, Antônio
Augusto, Maria Augusta, João Pinheiro, Francisco Nunes, Joaquim Augusto, Maria
do Rosário, Maria Júlia e Margarida.
Zazá vai regredindo ao seu passado, experimentando todas
as boas sensações. Zazá está no paraíso!
As sensações da vida se misturam, as imagens se
manisfestam e se apagam. Uma sensação única é chegada, uma sensação de paz, de
pura energia positiva. Não existem imagens para descrever essa sensação. De
branco intenso, luz vibrante. Ela agora está no ventre de novo. Cegou ao cerne
de tudo. Talvez essa seja minha imagem de Deus.
Neste lugar, sua mãe não é mais a Dona Zuzú, e seu pai,
não é mais o Doutor Rosa. Ela está no colo de Deus Pai Todo Poderoso e no
ventre de sua mãe a Virgem Maria.
Ela é um bebê, que desaprendeu a andar, falar. Esqueceu
tudo que viveu, de tudo que foi armazenado na sua memória terrestre. Agora ela
virou luz.
Esse ano de 2015, aqui na Terra foi difícil, pra família
Rosa perder tantas figuras ilustres que amamos tanto. Mas, saudade é saudável!
Viver o luto significar viver dias de muita luta que
travamos com nossa condição de míseros viventes e sobreviventes. Como viver
aqui sem eles? Muitas mudanças nos aguardam por aí. Mas, as lições que ficam
pra mim é que temos que aprender a perder. Não somos carne, somos luz e
energia. Não podemos nos apegar tantos às coisas materiais.
Sigamos em frente! Eles estão bem melhores que nós. Eles
já fizeram a viagem, estavam cansados e era hora do merecido descanso.
Cumpriram sua missão e estão livres!
Hora de brilhar! Quando quisermos olhar nossos entes
queridos, sugiro que procuremos as estrelas no céu.
Aqui na Terra eles brilharam em nossas vidas, foram luzes
a nos guiar pelos caminhos de Deus! Vamos continuar nessa trilha!

Simplesmente, lindo!!!♥♥♥♥
ResponderExcluirobrigada
ExcluirA certeza de que um dia estaremos a fazer parte desta atmosfera de amor, nos faz viver cada dia, mais intensamente. E é a certeza da vida em plenitude, que nos torna, aqui na terra, um instrumento do Amor Eterno, a caminhar na trilha deste Amor! Mantenha a fé! Hemunnah!
ResponderExcluirPode ter certeza que sou uma mulher de muita fé.
ResponderExcluirA vida transcrita em poucas palavras.Agradeço a oportunidade de ter convivido com Zazá na posição de nora casada com seu filho Agostinho.Que o exemplo que nos deixou de,mansidão,companheirismo,amor,aceitação não seja esquecido e principalmente seguido. Como se diz aqui no Norte de MG : é o caminho de todos nós
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