domingo, 22 de novembro de 2015

Vida após a morte. Zazá querida!


Queria me transportar para o céu. 
Vô tinha xodó pela pequena e aparentemente frágil, Zazá. No final da vida, cismou que era pai dela, queria cuidar e proteger. Não é caduquice, é o amor fraternal.
Zazá sorria o tempo todo e era o carinho em pessoa.
A festa no céu deve ser do “balacobaco”. Ah, como queria estar lá só pra dar uma espiada e voltar!
Mas, posso imaginar a cena: Vô Rosa e vó Tide de mãos dadas, Heber Nunes a tocar uma boa música de fundo. Sentadas a tricotar estão Stela e Rosita Rosa. Zé Rosa está lá na porta da loja. Antônio de Margarida a contar seus maravilhosos causos para Sérgio Rosa, que também adora uma crônica. 
Zazá desfila pelo salão, recém chegada é abraçada por todos. Encantada, com aquele sorriso no rosto, ela caminha a passos largos, não mais está pequena, ela cresce, ergue a cabeça e se impõe. Quer ver o que tem mais a frente, uma luz forte vem surgindo e ela se aproxima sem medo. Lady, seu marido, surge por trás da luz, estende-lhe a mão para uma dança. Seus olhos se encontram e eles se apaixonam de novo. Suas almas se juntas no mesmo tempo, espaço, trocando energias, como se nada tivesse acontecido. Girando e dançando ao redor do salão, lépidos e faceiros. Ao girar mais e mais, ela vê seus filhos Geraldo Eugênio e Agostinho. Ela se enternece com aquele amor de mãe, busca seus filhos pelos braços e coloca suas cabeças próximas ao seu coração. O amor nunca morre, não importa o tempo na Terra, no céu não existem ponteiros. É chegada a hora do encontro e não há espera.

Na minha imaginação, depois que morremos passamos por esse túnel de emoções e "flash backs". Lady a retoma para a dança e a gira em vários rodopios. E, a cada rodopio Zazá rejuvenesce, toma feições de mulher mais nova, cheia de filhos ao seu redor. Meninos correndo, ela cuidando e amando. Mais um rodopio e ela vê seu pai, Doutor Rosa e sua mãe Zulmira. Ela quer parar aquela dança, quer se aninhar no colo da mãe, adormecer. E assim acontece, quando acorda, se vê menina, de vestido rodado e laço de fita no cabelo. Ela corre na rua de pedra da Guarda Mór Custódio, brinca com seus irmãos. São tantos: Ruy, Antônio Augusto, Maria Augusta, João Pinheiro, Francisco Nunes, Joaquim Augusto, Maria do Rosário, Maria Júlia e Margarida.
Zazá vai regredindo ao seu passado, experimentando todas as boas sensações. Zazá está no paraíso!
As sensações da vida se misturam, as imagens se manisfestam e se apagam. Uma sensação única é chegada, uma sensação de paz, de pura energia positiva. Não existem imagens para descrever essa sensação. De branco intenso, luz vibrante. Ela agora está no ventre de novo. Cegou ao cerne de tudo. Talvez essa seja minha imagem de Deus.
Neste lugar, sua mãe não é mais a Dona Zuzú, e seu pai, não é mais o Doutor Rosa. Ela está no colo de Deus Pai Todo Poderoso e no ventre de sua mãe a Virgem Maria.
Ela é um bebê, que desaprendeu a andar, falar. Esqueceu tudo que viveu, de tudo que foi armazenado na sua memória terrestre. Agora ela virou luz.

Esse ano de 2015, aqui na Terra foi difícil, pra família Rosa perder tantas figuras ilustres que amamos tanto. Mas, saudade é saudável!
Viver o luto significar viver dias de muita luta que travamos com nossa condição de míseros viventes e sobreviventes. Como viver aqui sem eles? Muitas mudanças nos aguardam por aí. Mas, as lições que ficam pra mim é que temos que aprender a perder. Não somos carne, somos luz e energia. Não podemos nos apegar tantos às coisas materiais.
Sigamos em frente! Eles estão bem melhores que nós. Eles já fizeram a viagem, estavam cansados e era hora do merecido descanso. Cumpriram sua missão e estão livres!
Hora de brilhar! Quando quisermos olhar nossos entes queridos, sugiro que procuremos as estrelas no céu.

Aqui na Terra eles brilharam em nossas vidas, foram luzes a nos guiar pelos caminhos de Deus! Vamos continuar nessa trilha!

5 comentários:

  1. A certeza de que um dia estaremos a fazer parte desta atmosfera de amor, nos faz viver cada dia, mais intensamente. E é a certeza da vida em plenitude, que nos torna, aqui na terra, um instrumento do Amor Eterno, a caminhar na trilha deste Amor! Mantenha a fé! Hemunnah!

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  2. Pode ter certeza que sou uma mulher de muita fé.

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  3. A vida transcrita em poucas palavras.Agradeço a oportunidade de ter convivido com Zazá na posição de nora casada com seu filho Agostinho.Que o exemplo que nos deixou de,mansidão,companheirismo,amor,aceitação não seja esquecido e principalmente seguido. Como se diz aqui no Norte de MG : é o caminho de todos nós

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