quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

De Gandhi à Frida em busca de transformação






Quando estava sentindo muita raiva, li uma crítica sobre o livro “A virtude da raiva”. O subtítulo me chamou mais a atenção: “E outras lições espirituais do meu avô Mahatma Gandhi”. Em março de 2019 entrei na livraria, li a sinopse e o comprei.
Fiquei encantada por vários motivos: Primeiro porque o livro foi escrito por um neto que aprendeu lições de vida com o avô, um ser que influenciou e ficou conhecido no mundo inteiro, Gandhi. Eu também escrevia sobre meus avós, e tudo que diz respeito a esse tema me interessa. Segundo que aprendi muito com a cultura indiana, que é de uma sabedoria elevada. Terceiro que conheci mais da história de vida desse grande líder espiritual e guerreiro contra as imposições de consumo e domínio da Inglaterra. È um livro que fala sobre direito humanos e como devemos nos portar diante da raiva, do ódio de outras etnias, de humildade, de comer saudável e de consumo consciente. Fiquei feliz e triste, pois Gandhi, foi assassinado, pelo mesmo povo que ele tentou ajudar.  
A roda de fiar era a meditação de Gandhi e isso me mostrou que a vontade de aprender a fazer algo manual é uma necessidade do corpo e da mente se distrair. Em silêncio e trabalhando colocamos nossos pensamentos em dia.
Gandhi dizia:
“Use a raiva para o bem. A raiva, para as pessoas, é como o combustível para o automóvel. Ela nos dá energia para seguir e frente e chegar a um lugar melhor. Sem ela não teríamos motivação para seguir em frente e chegar a um lugar melhor. Sem ela, não teríamos motivação para enfrentar desafios. A raiva é uma energia que nos impele a definir o que é justo e o que não é.
A compaixão e o perdão é a cura de todo mal.
Ao longo da vida, Gandhi foi agredido, atacado e preso, além de ser vítima de oito atentados.
O neto carinhosamente conta a história do avô, Babuji. E conseguiu aprender vários conselhos: ele usava a fama e bajulação para arrecadar dinheiro aos pobres, preservava a solidão para encontrar a paz interior e acreditava que precisamos tornar a vida mais tranquila.
Bapuji acreditava que devemos dedicar nosso tempo à busca da Verdade – palavra que ele sempre escrevia com letra maiúscula pois acreditava ser o objetivo da vida. Se nos esforçarmos para encontrar a Verdade, chegaremos mais perto de compreender o sentido da vida.
Depois de assistir uma missa de domingo em junho deste mesmo ano, o padre pediu doação de cobertores. Como sempre vou buscar Arthur na escola, um dia, chegando mais cedo, entrei na igreja para fazer a doação. Na lojinha encontrei o novo livro do padre Fábio de Melo; “Por onde for teu passo, que lá esteja o teu coração.” Comentei com a moça da loja que já tinha lido outros livros dele e achei muito bons: È Sagrado Viver, Mulheres de Aço e de Flores, e, Quem me roubou de mim. O padre escreve muito bem, com sensibilidade e poesia.
Estou vivendo um momento de transformação. Imagino que deve doer para as lagartas se tornarem borboletas. Elas ficam presas dentro de um casulo e sofrendo mutações até ressurgirem do escuro e da clausura para voarem lindas, leves e soltas. A transformação é radical, de lagartas rastejantes a borboletas voantes em busca do néctar das flores. 
Daí, logo no início, o livro me fala:
“De repente acontece. O olhar muda de foco. ... É do íntimo do olhar que criticamos as circunstâncias que nos envolvem, os pedidos que elas nos fazem, e identificamos os riscos e as possibilidades que elas nos oferecem.”
“Os hábitos que não incluem a vida interior fazem com que o ser humano permaneça distante de sua consciência.”
“De vez em quando é necessário perder as proteções que a vida adulta nos emprestou. É necessário retornar à nudez original, à vulnerabilidade que nos coloca diante das perguntas e dos conflitos que adiamos por puro desrespeito a nós mesmos.”
Deus está falando comigo. Ele colocou esse livro em minhas mãos para que eu entenda que todas as pessoas se perdem no meio do caminho e tentam buscar novamente sua essência. Meu divórcio significa isso.
Logo após meu aniversário, Lu Caldas traz dois livros para mim. A biografia de Frida Kahlo e Marilyn Moroe.
Começar lendo a história de Frida me trouxe acalento e resignação. Primeiro porque a gente tem que conhecer a história de quem é fã e segundo porque ela me passou a coragem que preciso para encarar minhas feridas. Mais do que imaginei Frida sofreu no corpo e na alma. Já nasceu doente, com poliomielite, e uma das pernas defeituosa. Depois do acidente de bonde aos 19 anos, começou seu martírio e as 39 cirurgias para costurar o corpo todo partido. Muitas dores e gessos a levaram a pintar na cama. Até conseguiu se casar com Diego Rivera, mas o homem era mulherengo e a traiu várias vezes, inclusive com sua irmã. Frida tinha o corpo frágil, mas sua alma era indomada. Viajou, morou sozinha no exterior, ficou independente do famoso marido vendendo seus quadros e também seduziu vários homens. Seus amantes ficavam encantados com o magnetismo de Frida e sua arte tão original e mexicana.
O mundo se rendeu aos seus trajes típicos, que eram para chamar a atenção, valorizar sua cultura e esconder o problema da perna com as saias longas.
Eu e ela, Fridas Feridas!

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