terça-feira, 26 de abril de 2016

A poesia é um lugar imortal





O tempo passou.
Um ano...
Ás vezes parece tão pouco! Às vezes parece muito!
A saudade carnal aperta, ora afrouxa. Dependendo do estado de espírito. Nada será como antes. Temos que estar preparados. O corpo padece e morre a cada dia. Temos que saber o preço da existência que é nossa própria finitude. Temos que entender o lado misterioso da vida. Temos que crescer e evoluir espiritualmente. Temos que crer num Deus bom e que Jesus morreu na cruz para nos salvar do pecado e nos conduzir à vida eterna. Temos que viver e um dia temos que morrer.
Eu gosto de recordar. Por meio da recordação crio um elo com meus avós e revivo sua existência. Escrevo tudo que me vêm a memória e poetizo para ritualizar a história e transformá-la em conto. Posso brincar com meu passado, trazendo-o para o presente e gravando-o para sempre no meu futuro.
Apesar de tudo dentro de mim, tenho a certeza que a recordação pode ser um quadro na parede, mas nunca a mobília principal. Temos que saber enterrar nossos mortos.
Aos poucos meus avós se transformam em poesia
Poesia é o lugar da imortalidade.
Quando a presença física não existe mais
A poesia é capaz de me fazer ver, sentir, ouvir.
Vejo-os em sonhos, tempos variados.
Vejo-os novos e velhos, cabelos pretos e cabelos brancos.
Vejo-os através de objetos.
Sinto-os através de suas histórias,
Ouço-os através de seus ditados e modos de falar.
Cheiro-os através de comidas, roupas, livros antigos.
Vejo o pêlo gigante do braço de vô, que cresceu por 98 anos. Sua mão calejada de tanto trabalhar.
Sinto a pelanca do braço de vó, a pele fininha e macia.
Ouço minha avó responder quando alguém fala: Estou com fome! E ela dizia: Mata o homem e come!
Ou então: O quê é isso? E ela atrevida respondia: - “Chouriço, sua casa tem disso?”.
Vejo-os andando de mãos dadas pelas ruas de Itabira. Na terra de Drummond a poesia caminha de mãos dadas com meus avós. Ainda hoje estão pela Rua Tiradentes, dando aquele adeus da sacada do Solar dos Rosas. Nunca deixarão de existir. Vejo-os nitidamente.
Sempre sonho com os dois. Alimento os sonhos com fotos e lembranças e me deleito à noite com a “presença” dos avós queridos. É comum nos sonhos que eu tenha a certeza que eles morreram e eles conseguem falar que estão vivos e olhando por nós.

Não deixe essa mágica morrer, não mate os sonhos que existem dentro de você! Vamos manter a história deles no ar, vamos alimentar nosso coração apenas com boas lembranças. 

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