“Muitas pessoas ainda duvidam da existência e da
eficiência do inconsciente. Talvez sejam críticas demais para acreditar no que
não se pode ver. O inconsciente é aquilo que não é sabido, que está esquecido e
chamamos de recalcado. Ele surge em sonhos, atos falhos, equívocos que
cometemos no cotidiano. É muito mais fácil negá-lo que conviver com ele. Levar
em conta que algo dentro de si próprio é desconhecido abre novas dimensões do
humano.”
Sabe aquelas sensações de prazer indescritível por
algumas coisas? Você não sabe de onde vem, mas seu inconsciente sabe. Freud
estudou a vida inteira sobre esse nosso lado desconhecido, temos muitos. Alguns
como eu tentam vasculhar alcovas, outros
preferem boiar na superfície. Sonhos recorrentes são indícios do inconsciente,
um prazer incomensurável, uma fantasia, enfim, penso sobre elas e tente ver seu
outro lado da moeda.
Outro dia, conversando com meu pai, falei de um sonho
recorrente. Dentro do casarão dos meus avós tem uma passagem secreta que me
leva a outra casa. Só eu conheço e às vezes vou para lá. Tem um salão nobre
muito chique com paredes rebuscadas e pintadas à mão. Uma sacada enorme e
muitos quartos. Nunca vi tantos! Vejo uma mulher com vestido elegante e saia
até os pés.
Para minha surpresa, meu pai me disse que parece que
estou descrevendo a casa da Rua Guarda-Mor-Custódio, onde vô Rosa nasceu. Ele
me disse que é traumatizado até hoje por ter levado um baita susto quando
voltou da sua lua-de-mel e viu a casa destroçada no chão. Era um verdadeiro
palácio, com 38 cômodos, onde nasceu também Carlos Drummond de Andrade. Infelizmente
o comprador não avisou que iria destruí-la para construção de um edifício.
Ficamos sem fotos internas e poucas externas. Ou seja, como me lembro de lá?
Como explicar esse sonho que se repete tanto e que nele me transporto para
um passado que não vivi?
Não sou espírita, mas posso dizer que tenho uma
sensibilidade aguçada e amo conhecer o passado.
Também sei que, a mulher elegante me disse uma vez que
por trás das paredes daquela casa havia tesouros de família.
Aprendi com a vida que nossa maior riqueza não está nas
coisas materiais, portanto, ao invés de abrir paredes atrás de ouro. Sei bem
onde encontrar a riqueza que meu sonho tenta me mostrar. Ela está bem ali, na
história da família que visito. O legado deixado pelos nossos antepassados, a
honra, os serviços prestados à comunidade, o amor, a honestidade, a simplicidade
e a elegância.
NOSSA FAMÍLIA É NOSSA MAIOR RIQUEZA!
Talvez seja isso que meu inconsciente queira dizer, mas
em linguagem cinematográfica! Freud explica.

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