quinta-feira, 9 de março de 2017

Dia internacional da mulher

Recebi uma mensagem pelo “whatzapp” me parabenizando pelo Dia Internacional da Mulher:
“A competência levou a mulher a conquistar espaços, ganhar respeito e a sonhar mais. Hoje, a mulher está presente em tudo, e essa presença se multiplica em cada sonho alcançado. Parabéns, mulher!
Meu marido enviu essa mensagem e começamos um debate. Provoquei:
- Eu não posso sair de mini saia que recebo cantadas.
Ele respondeu:
-Tá muito perua pro meu gosto.
Retruquei:
- Não sei o que tanto comemorar. Só quero respeito.
Ele concluiu:
- Aumenta a saia então.
Eu xinguei:
- Vai te catar.
Ele riu.
- rsrsrsrsrsrs
Eu finalizei:
- Não encaminhe essa mensagem. Apenas respeite as mulheres.
Ele prometeu me obedecer com um “ok”.
Enfim, precisa falar mais alguma coisa?
Poderia escrever um texto enorme, com dados históricos, números, percentuais. Mas, prefiro me ater aos exemplos.
Outro dia, numa reunião de condomínio discutíamos se uma mulher era capaz de ser porteira. Santa ignorância, uai! Se já somos policiais, porque não poderia ser porteira noturna com porte de arma? Desde que tenha um curso apropriado e tire a licença de porte de arma. Pra mim, tudo bem. Mas, quem começou a discussão? Um homem, claro! Mas, algumas mulheres foram favoráveis. Ficou permitido ou não? Fato é que de noite não há porteiras aqui.
No trânsito é uma piada, os homens poderiam nos xingar apenas de roda dura, mas é um tal de vagabunda, piranha, louca. Outro dia, um homem me xingou de vaca, nem sei o motivo, não percebi nada de errado.
 A mulher que trabalha a noite na recepção de uma boite, vestida com um tubinho preto invariavelmente é desrespeitada pelos frequentadores da ala masculina. 
Há quinze dias atrás, presenciei o machismo na escola, durante a reunião de pais que só tinha um pai. E ouvi alguém dizendo que ele era gay. Valha-me, Deus! Em que mundo estamos?
É uma loucura conviver com pensamentos tão arcaicos. Principalmente quando se tem um exemplar da espécie em casa, meu marido.
Sempre observo os comentários dos homens nas mesas dos bares, quando eles se reúnem, longe das mulheres, se sentem livres para falar asneiras impregnadas de machismo. Eles duvidam de como a diretora do trabalho chegou àquele posto tão disputado. Duvidam da índole das meninas com short curto, vestido colado e um sapato de salto vermelho.
Não temos o que comemorar. Podemos e devemos reclamar, fazer nossas observações e exigir igualdade.
Porquê não existe o Dia Internacional do Homem?
Porque o Dia Internacional da Mulher é uma data comemorativa que reafirma nossa luta contra a desigualdade. Ser mulher é uma luta!
Ser homem deve ser bem fácil!


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