Gostaria de me dedicar mais ao meu objetivo de escrever.
Mas, para escrever tem que ter concentração.
Depois que virei esposa, mãe e dona de casa o bicho pegou
pro meu lado.
Escrever virou missão quase impossível!
Acordar, tomar café já pensando no almoço, sair pra fazer
sacolão, treinar empregada, ensinar dever, fazer esteira, são algumas das
tarefas apenas da parte da manhã. Depois que despacho Arthur é um alívio!
Se eu conseguisse escrever uma crônica por dia já seria
ótimo! Mas, não é bem assim. Costumo deixar o edredon pra lavar, máquina pra
consertar, bateria do telefone pra comprar, aquele presente que preciso pra
hoje e pronto, a tarde inteira se passou.
E o lanche e o jantar? Queria fazer um curso de
culinária, esquecer que escrevo e começar a achar poesia na minha comida. Aff!
Tenho reunião com a professora, minha cabeça não consegue pensar em outra
coisa.
Agora é hora do banho, escolher roupa, maquiar e a escova
no cabelo demora uma hora. O marido chega e nota que você está linda e
cheirosa. Depois comenta que a vida pra mim é muito mansa. Como se não bastasse
tem gente que acha ruim eu ter largado minha carreira como publicitária.
Difícil é arrumar empregada doméstica de confiança pra largar meu filho com
ela.
Então eu me contento em fazer poesia em um click, mais
rápido e ainda me dá uns trocados. Assim sou eu, uma mulher que vive tentando
fazer os outros felizes e que meus dias sejam felizes também.
Serviço ingrato esse de trabalhar em casa.
A gente trabalha como condenadas e não somos valorizadas.
Quem sabe um dia consiga escrever meu primeiro livro.
Seguindo o exemplo da Cora Coralina que publicou seu
primeiro trabalho aos 76 anos e hoje é considerada uma das melhores escritoras
brasileiras.
A esperança é a última que morre.
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