sexta-feira, 3 de julho de 2015

Mulher maravilha


Gostaria de me dedicar mais ao meu objetivo de escrever. Mas, para escrever tem que ter concentração.
Depois que virei esposa, mãe e dona de casa o bicho pegou pro meu lado.
Escrever virou missão quase impossível!
Acordar, tomar café já pensando no almoço, sair pra fazer sacolão, treinar empregada, ensinar dever, fazer esteira, são algumas das tarefas apenas da parte da manhã. Depois que despacho Arthur é um alívio!
Se eu conseguisse escrever uma crônica por dia já seria ótimo! Mas, não é bem assim. Costumo deixar o edredon pra lavar, máquina pra consertar, bateria do telefone pra comprar, aquele presente que preciso pra hoje e pronto, a tarde inteira se passou.
E o lanche e o jantar? Queria fazer um curso de culinária, esquecer que escrevo e começar a achar poesia na minha comida. Aff! Tenho reunião com a professora, minha cabeça não consegue pensar em outra coisa.
Agora é hora do banho, escolher roupa, maquiar e a escova no cabelo demora uma hora. O marido chega e nota que você está linda e cheirosa. Depois comenta que a vida pra mim é muito mansa. Como se não bastasse tem gente que acha ruim eu ter largado minha carreira como publicitária. Difícil é arrumar empregada doméstica de confiança pra largar meu filho com ela.
Então eu me contento em fazer poesia em um click, mais rápido e ainda me dá uns trocados. Assim sou eu, uma mulher que vive tentando fazer os outros felizes e que meus dias sejam felizes também.
Serviço ingrato esse de trabalhar em casa.
A gente trabalha como condenadas e não somos valorizadas.
Quem sabe um dia consiga escrever meu primeiro livro.
Seguindo o exemplo da Cora Coralina que publicou seu primeiro trabalho aos 76 anos e hoje é considerada uma das melhores escritoras brasileiras.
A esperança é a última que morre.



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